Domingo, 7 de Março de 2010

FIB - Felicidade Interna Bruta

“O Butão tem praticado aquilo que outros países precisam cumprir. Precisamos estender o conceito de Produto Interno Bruto para Felicidade Interna Bruta. Nós, do Banco Mundial, estamos a aprender muito com o Butão”.

                                                                                     Graeme Wheeler

A ideia subjacente ao FIB – indicador de bem-estar que nasceu no Butão e chamou a atenção de muitos governantes e teóricos – é a de que o fluxo monetário não deverá ser a única forma de medir o progresso das nações. O verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade está alicerçado em quatro pilares, a saber: O desenvolvimento socioeconómico equitativo, a preservação e promoção da cultura, a conservação do meio ambiente e bons critérios de governo.

“A ideia do FIB é incorporar a felicidade - medida por critérios técnicos em questionários de até 150 perguntas - aos índices de desenvolvimento de uma cidade, Estado ou país”, explica a psicóloga e antropóloga Susan Andrews, organizadora da 1ª Conferência Nacional sobre FIB. Para medir o FIB, a percepção dos cidadãos em relação à sua felicidade é analisada em nove dimensões: padrão de vida económica, critérios de governo, educação de qualidade, saúde, vitalidade comunitária, protecção ambiental, acesso à cultura, gestão equilibrada do tempo e bem-estar psicológico.

“O FIB situa a felicidade como pivô do desenvolvimento, em oposição ao PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma das transacções económicas de uma nação), que falha por não contabilizar os custos ambientais e inclui formas de crescimento económico prejudiciais ao bem-estar da sociedade, como o corte de árvores”, afirma a psicóloga.

Num mundo de aceleradas rupturas ecológicas, sociais e psicológicas, talvez o Butão, com sua sabedoria dos Himalaias, tenha algo a nos ensinar. Apesar da subjectividade na medição de felicidade o FIB poderá levar-nos a desenvolver melhores métricas e a completar indicadores como o PIB e o IDH. Que possamos alcançar a prosperidade em harmonia com o planeta e com os nossos semelhantes.

 

 

 

publicado por descobrirafelicidade às 11:24
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

A rede de Indra e a miragem do "ecológico"

 

“Um texto antigo chamado Avatamsaka Sutra descreve o universo como uma rede infinita gerada pelo desejo de Indra, uma divindade hindu. Em cada conexão dessa rede infinita há uma jóia maravilhosamente polida e infinitamente facetada, que reflecte, em cada uma de suas faces, todas as faces de todas as outras jóias da rede. Uma vez que a própria rede, o número de jóias e o número de faces de cada jóia são infinitos, o número de reflexões também é infinito. Quando qualquer jóia nessa rede infinita é alterada de qualquer forma, todas as outras jóias na rede também mudam.
A história da rede de Indra é uma explicação poética para as conexões algumas vezes misteriosas que observamos entre eventos aparentemente não-relacionados
. [...] À primeira vista, experiências envolvendo partículas subatómicas conduzidos ao longo de algumas décadas sugerem que tudo o que foi conectado num momento retém essa conexão para sempre.”

              Yongey Mingyur Rinpoche, A alegria de viver

 

Por coincidência, ou não, comprei o novo livro de Daniel Goleman, Ecointeligência, no dia em que a minha amiga Marta escreveu o seu post intitulado "O impacto nos outros"  domeulugar.blogs.sapo.pt/8933.html . Só pretendia falar deste livro quando finalizasse a sua leitura, mas depois de ver o post da Marta sinto que não posso deixar de o fazer agora que o iniciei. É que, logo no começo, Daniel Goleman fala-nos na rede de Indra como a imagem da teia infinita de interligações tanto nos sistemas da natureza como nos sistemas industriais. A indústria pode e deve ser encarada como uma espécie de ecossistema com efeitos profundos em todos os sistemas ecológicos.

A rede de Indra recorda-nos que todas as fases de fabrico de um bem apresentam impactos adversos sobre os sistemas naturais. “Nada produzido industrialmente pode ser totalmente ecológico, apenas relativamente ecológico.” Os verdadeiros impactos daquilo que compramos têm sido ignorados no que respeita à maioria dos produtos. Um exemplo será o da T-shirt que D. Goldman comprou com os dizeres: “100% algodão biológico: Faz um Mundo de Diferença”. Sem dúvida, que existem os benefícios da não utilização de pesticidas no algodão biológico, mas omite-se que são precisos dois mil e setecentos litros de água para produzir o algodão de uma T-shirt. O mar de Aral evaporou-se, ficando, no seu lugar, um deserto, em grande parte, devido às necessidades de irrigação das plantações de algodão da região.

Tudo o que é artificial tem incontáveis consequências e acabámos por estabelecer um padrão muito baixo para os produtos ditos ecológicos, pois fixámo-nos numa dimensão única, ignorando múltiplos impactos adversos.

“O ecológico é um processo, não é um estado – temos de pensar no “ecológico” como um verbo e não um adjectivo.” Devemos entender mais profundamente os impactos daquilo que compramos para orientar as nossas escolhas. Quando pudermos fazer opções com base em informações completas, aumentando a nossa inteligência ecológica, será possível, aí sim, caminhar em direcção “ a um destino ecologicamente sustentável e socialmente justo.”

 

Soube-me bem: O passeio que dei há pouco.

Foi inspirador: Começar a ler o livro de Daniel Goleman.

Agradeço: As estrelas no céu.

 

publicado por descobrirafelicidade às 23:44
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Sábado, 10 de Outubro de 2009

Mudança de paradigma

“Apesar de vivermos mais anos, com mais saúde e melhores condições materiais, nunca houve tantos casos de depressão (aumentaram 7 vezes em 20 anos), tantas perturbações de comportamento, tantas tentativas de suicídio, tanta solidão.

            A sociedade de bem-estar é uma sociedade de frustração. Depois da década de 60, desenvolveu-se a ideia de que o consumismo cria decepção porque mostra o que você não vai ter (…).

O que é preciso corrigirmos é o lugar que o consumo ocupa nas nossas vidas, fazendo-o numa ética da pessoa. Mas, só uma outra paixão poderá permitir reduzir a paixão consumista; temos de inventar uma pedagogia, uma política de paixões capaz de mobilizar os afectos fora do consumível, da compra: no trabalho, na criação, no desejo, na arte, temos de criar uma ecologia mais equilibrada da existência. O crucial é que as satisfações aconteçam fora dos paraísos passageiros do consumo.”

                                                                               Felicidade paradoxal, Gilles Lipovetsky

 

Precisamos encontrar uma realização que seja menos baseada no consumo e mais na ética, na relações pessoais, na espiritualidade e na alegria. É necessária uma mudança do paradigma da sociedade.

 

Nota: Apesar da minha amiga Nucha treschavenasdecha.blogs.sapo.pt/53301.html se referir a mim quando nos fala de uma das exposições da experimentadesign, foi ela que me deu a conhecer o conceito Timeless. Que tal pensarmos nas suas palavras?

 

Soube-me bem: A manhã passada na Fundação Oriente.

 

Foi inspirador: Lembrar-me do conceito "UBUNTU" ao folhear pela enésima vez o livro: Me We - Love Humanity & Us - um dos livros mais bonitos que já vi. Aqui fica a sinopse:

 

Ubuntu is an African ideology which roughly translates as humanity towards others and emanates from the belief that a universal bond connects all humanity. In Me We, this human connection is captured in a breathtaking collection of images from across the globe. Me We is an epic photographic project featuring images of love, kindness, tolerance, hope and compassion, captured by the world's top photojournalists, and is a stunning addition to the Ubuntu collection.

 

Agradeço: Os laços que nos ligam.

 

 

 

publicado por descobrirafelicidade às 16:25
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Domingo, 20 de Setembro de 2009

Muhammad Yunus

             Muhammad Yunus é o exemplo de um homem que encontrou a sua voz e inspirou outros a encontrar a deles: Apercebeu-se de uma necessidade humana e respondeu ao apelo da sua consciência, aplicando o talento e a paixão à satisfação dessa mesma necessidade.

Há cerca de 30 anos atrás, recém diplomado nos Estados Unidos, M. Yunus voltou para o Bangladesh. Quando saia da Universidade onde dava aulas de Economia sentia que todas as teorias económicas que ensinava, eram simplesmente “histórias de encantar”: Não tinham qualquer significado na situação de miséria das pessoas que o rodeavam. Com o desejo de fazer algo “para prolongar a vida ou adiar a morte, nem que fosse de uma só pessoa” começou a observar a vida dos habitantes da aldeia, situada junto ao campus universitário.

            O encontro com uma artesã de bancos de bambu vai mudar o rumo da sua vida. Após um longa conversa descobre que os rendimentos da artesã, pelos seus bonitos bancos , não excediam uns escassos cêntimos de dólar por dia. Devido ao facto de não ter dinheiro para comprar o bambu, que custava 20 cêntimos, esta mulher tinha de pedi-lo emprestado a um negociante que impunha, como condição, que o produto lhe fosse vendido em exclusivo, ao preço que ele estipulasse.

            Muhammmad Yunus pergunta-se se não há nada que se possa fazer para evitar o sofrimento de pessoas por apenas 20 cêntimos. Com os seus alunos percorre a aldeia e verifica que existem 42 pessoas nas mesmas condições. Sentiu-se envergonhado de fazer parte de uma sociedade que “não podia facultar uns meros 27 dólares a quarenta e dois esforçados seres humanos com tão elevada aptidão profissional”.

            Depois de ter dado do seu bolso os 27 dólares a estas pessoas, dizendo-lhes que se tratava de um empréstimo e que elas podiam reembolsá-lo quando pudessem, foi à agência bancária do campus universitário, sugerir que fossem concedidos empréstimos às pessoas necessitadas da aldeia. A resposta que tem é: “O senhor está louco! Não é possível! Como é que podemos emprestar dinheiro aos pobres? Essa gente não merece crédito.”

            O pagamento na totalidade do empréstimo, que concedera aos aldeãos, deu-lhe a prova que achava suficiente para que fosse concedido crédito àqueles que mais necessitavam, mas não. Disseram-lhe que se tratava de um caso isolado e que o queriam apenas enganar.

            Após uma luta em que sempre se deparou com a intransigência do Banco, tomou uma decisão: Criar um banco diferente. Levou dois anos a convencer o governo, abrindo a 2 de Outubro de 1983 o Grameen Bank.

            Yunus encontrou a sua voz e inspirou outros a encontrar a deles: O movimento do micro crédito está actualmente a estender-se por todo o mundo.

 

                    Soube-me bem: Chegar a casa, ontem à noite, depois de ver o filme "Abraços desfeitos" e ouvir Caetano Veloso.

                      Foi inspirador: Almodóvar... É sempre, mesmo neste filme nada inovador, Almodóvar é um cineasta que me leva do choro ao riso em segundos e me transporta ao mundo das emoções.

                        Agradeço: O azul do céu.

 

publicado por descobrirafelicidade às 12:27
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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Os nós cegos da economia

 

  •        " Imagem ultra simplificada da natureza humana, partindo do princípio de que as pessoas são unicamente motivadas pelo desejo de maximizar o lucro.
  •       Princípio de que a solução da pobreza está na criação de empregos para todos – que a única forma de ajudar os pobres é proporcionar-lhes postos de trabalho. O único tipo de trabalho que a maioria dos livros de economia reconhece é o trabalho dependente.
  •       Não reconhecer a família como uma unidade de produção e o trabalho independente como uma forma de ganhar a vida. As pessoas deviam ter a opção de poder escolher entre o trabalho dependente e independente.
  •       Suposição de que o empreendedorismo é uma qualidade rara. Pelo contrário, a capacidade empreendedora é praticamente universal. A sociedade nunca deu às pessoas pobres uma base adequada para crescerem. Quando os pobres forem autorizados a libertarem a sua energia e criatividade, a pobreza desaparecerá rapidamente."                                                                             Muhammad Yunus

 

Para Muhammmad Yunus a principal tarefa de um programa de desenvolvimento é tentar despertar a criatividade que existe em cada ser humano. Na sua base  está a criação de um ambiente favorável que permita a cada ser humano explorar o seu potencial criativo.

 

No livro "Criar um mundo sem pobreza" M. Yunus fala-nos do talento nato de todos os seres humanos – o talento para sobreviver. Diz-nos que concentrou os seus esforços no que pudesse  possibilitar a concretização do potencial dos mais pobres. "Dar aos pobres acesso ao crédito permite-lhes pôr imediatamente em prática os talentos de que já dispõem – tecer, descascar arroz, criar gado e guiar um riquexó" (…).

 

(…) Decisores públicos, consultores internacionais e muitas ONG partem, normalmente, do princípio oposto – que as pessoas são pobres porque não têm aptidões. Baseados neste conceito, os seus esforços antipobreza começam por ser construídos em volta de elaborados programas de formação. Eles optam pela formação porque esse é o caminho que indicam as avaliações viciadas que tomam por princípio. Mas se vivermos tempo suficiente com os pobres, descobrimos que a pobreza se deve à incapacidade de retenção dos resultados do seu trabalho. Eles não têm qualquer controlo sobre o capital. Os pobres trabalham para benefício de outros que controlam o capital.

E porque é que isto acontece? Porque os pobres não herdam qualquer capital e porque ninguém, no sistema convencional, lhes dá acesso a capital ou a crédito (…).

(…) E quanto à formação profissional? A formação, per se, não tem nada de mal. Pode ser extremamente importante para ajudar pessoas a ultrapassar dificuldades económicas. Mas a formação pode ser dada apenas a um número limitado de pessoas. Para responder às necessidades de uma vasta massa de pobres, a melhor estratégia é deixar que as suas aptidões naturais se desenvolvam, antes de começar a ensinar-lhes aptidões novas. Conceder crédito aos pobres e deixá-los usufruir dos frutos do seu trabalho – muitas vezes, pela primeira vez na vida deles – ajuda a criar uma situação em que eles próprios sentirão necessidade de formação, começando a procurá-la e dispondo-se até a pagar por ela (embora, em grande parte das vezes, não mais do que a um preço simbólico). Nestas condições, a formação pode ser realmente importante e eficaz.”

   

        Estas palavras levam-nos a reflectir na nossa cegueira perante a energia e criatividade de todos os seres humanos e nos muros que são impostos à metade inferior da população mundial.

 

           Soube-me bem: Ter a tarde e noite livres nesta sexta-feira.

           Foi inspirador: Ir à livraria do meu bairro e folhear "O livro dos saberes".

           Agradeço: Todas as oportunidades que me têm sido concedidas.

 

publicado por descobrirafelicidade às 15:43
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Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

"Ter" e "Ser"

“TER” e “SER”

A aquisição de bens parece ser, hoje, o único meio de valorização pessoal. Para se ser reconhecido, é necessário ter. A felicidade parece passar exclusivamente pelo ter e não pelo saber ser e o saber fazer. Muitas vezes, na impossibilidade de fruição de um bem, o ser humano contenta-se com a sua posse. Eu sou o que tenho, o que consumo.

TER”

A filosofia do “ter” é intrínseca à sociedade à sociedade industrial, em que o desejo por dinheiro aparece muitas vezes como meio determinante de se ser reconhecido e aceite enquanto pessoa.

Uma manifestação do modo “ter” é a da apropriação. A atitude típica da era de consumo consiste em querer “engolir” o mundo inteiro.

O consumidor é um eterno bebé chorando pelo seu biberão.

A diferença entre os modos de existência “ter” e “ser” equivale à diferença entre uma sociedade centrada nas coisas e outra centrada nas pessoas.

“SER”

“Ser” é mergulhar na realidade de nós próprios, dos outros e do mundo à nossa volta.

A felicidade, diz Jung, consiste em estar bem connosco próprios e com os outros. Ao modo “ser” estão associadas a independência, a liberdade e a consciência crítica. A sua característica fundamental é ser-se activo, não no sentido duma actividade virada para o exterior, mas no sentido duma actividade interior, de utilização das suas potencialidades. Ser activo é expressar as faculdades, os talentos. Ser activo é desenvolver-se, amar e mostrar-se interessado.

Os jovens, o dinheiro e o crédito: Instituto do Consumidor (adaptado)

O nosso sistema político baseia-se, de facto, no crescimento económico, medido através do PIB, que cresce graças ao aumento do consumo.  Porém, um baixo nível de consumo não é, necessariamente, sinónimo de infelicidade. "As pessoas sabem quais são as verdadeiras fontes de uma felicidade duradoura (ter relações sólidas, aceitar o que se é, pertencer a uma comunidade), mas uma poderosa aliança de interesses políticos e económicos tenta desviá-las, fazendo-as gastar mais."

Devemos consciencializar-nos que uma economia de baixo consumo se impôe e reconhecer  a necessidade de mudanças no estilo de vida orientadas para a satisfação das verdadeiras necessidades humanas.

 

Soube-me bem: A manhã tranquila.

Foi inspirador: Ver o blog de Fernando Nobre - fernandonobre.blogs.sapo.pt/

Agradeço: A vinda do meu amigo Zé a este espaço.

 

publicado por descobrirafelicidade às 11:41
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Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Comparações

“O crescimento compra a felicidade nos países extremamente pobres, mas a partir do momento em que a nação atinge determinado nível de renda (…), acréscimos adicionais de renda não se traduzem em ganhos de bem-estar subjectivo. (…)

            Décadas de forte crescimento económico nos Estados Unidos, Europa e Japão na segunda metade do século XX muito pouco ou nada alteraram as proporções de indivíduos felizes e infelizes na população dos respectivos países.”

                                                                             Felicidade, Eduardo Giannetti

           

            No plano internacional os estudos mostram que um aumento proporcional entre riqueza e felicidade dá-se até um nível em que os rendimentos se situam entre os 15 mil e 20 mil euros anuais. A partir daí mesmo que um país enriqueça não aumentará a felicidade e bem-estar dos seus cidadãos.

E depois… Nós, os seres humanos, sobretudo, comparamos. Em pesquisas realizadas nos últimos 20 anos a etnia enuit do norte da Gronelândia, assim como os massai do Quénia, que não têm luz nem água corrente, ficam na mesma escala vital que os milionários americanos (30% dos quais são mais infelizes que o americano médio). As pessoas não tendem a perguntar-se “será que esta casa responde às minhas necessidades?”, mas, sim, “será que a casa dos meus vizinhos/amigos não é melhor que a minha?”. À medida que a classe média se aproxima dos que ganham mais, a sua felicidade tende a diminuir. Deixam de se sentir gratos pelo que têm e passam a concentrar-se apenas no que não têm.

É justamente este um dos obstáculos da gratidão. Quando olhamos à nossa volta e vemos pessoas com coisas que não conseguimos alcançar é mais natural sentirmos ressentimento. Focamo-nos naquilo que não temos em vez de apreciarmos o que possuímos.

   Talvez devamos reflectir nas palavras de Epicuro: "Não estragues o que tens ao desejares aquilo que não tens; lembra-te porém, de que aquilo que agora possuis, um dia já fez parte das coisas apenas sonhadas." 

 

Soube-me bem: A bola de berlim que comi na praia.

Foi inspirador: Folhear a revista Psychologies de Setembro.

Agradeço: A água do mar.

 

publicado por descobrirafelicidade às 16:42
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Domingo, 23 de Agosto de 2009

Por uma Economia solidária

 

 

 

 

Estamos a dizer que é possível outra economia e que é absolutamente necessária para o Séc. XXI que seja compatível com a vida. Uma economia solidária com as pessoas e solidária com a vida no planeta, com a natureza, com a diversidade cultural, com a diversidade do conhecimento não apenas o académico, mas também o conhecimento que advém do terreno”.

                                                                                              Rogério Roque Amaro

 

Soube-me bem: Ver o post de ontem do meu filho Afonso (um agradecimento especial pelo filho maravilhoso que és.)

Foi inspirador: Rever o video acima.

Agradeço: Todo o afecto que recebi no dia de ontem.

 

publicado por descobrirafelicidade às 17:49
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Descobrir a Felicidade

O tema da felicidade tem dominado os livros, estudos académicos e palestras dos últimos tempos. Inunda campos que vão desde a filosofia política, psicologia, sociologia e literatura até modelos económicos. Procura-se a “fórmula da felicidade” e a solução da “equação da felicidade”. As sociedades modernas parecem ter submergido ao “dever da felicidade”. Esta moda da felicidade em conjunto com a retórica dos livros de auto-ajuda e do pensamento positivo quase me afastou deste projecto que, paradoxalmente, teve o seu embrião justamente com ela: Construir um “portfolio da felicidade”. Muito do que li ajudou-me, de facto, a ter consciência da minha felicidade e a experimentar com maior frequência estados de profundo bem-estar. Partilhar aquelas que considero serem as fontes essenciais da felicidade tornou-se uma prioridade. Cada um é “feliz à sua maneira”, mas a “porta da felicidade abre para fora”, como nos diz Kierkegaard, e gostaria que a “minha” (resultado de tantas outras) fosse uma porta que se abrisse a todos aqueles a quem a casa da felicidade possa acolher.




“L`hiver a cessé: la lumière est tiède
Et danse, du sol au firmament claire.
Il faut que le cœur le plus triste cède
A l`immense joie éparse dans l`air. »

Paul Verlaine


“A conversa com um amigo, a descoberta de um livro, uma gravura, uma visita a um museu, o contacto com a música podem significar momentos de grande apaziguamento, de grande serenidade, de grande enriquecimento interior. É nisso que consiste a felicidade, quando há uma coincidência entre aquilo que nós somos e o Mundo em que estamos.”
Mário Claudio


“Happiness comes from the capacity to feel deeply, to enjoy simply, to think freely, to risk life and to be needed."
S. Jameson





“Tenho uma missão, embora pequena: Ajudar outros que, como eu, andam à procura, quanto mais não seja pelo facto de lhes garantir que não estão sós.”

Herman Hesse

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