Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Um testemunho

Acabei de abrir a caixa do correio e vi o boletim informativo dos "Leigos para o desenvolvimento". Nele, um testemunho de uma voluntária na Missão de Água Izé em S.Tomé,  onde vivi uma boa parte da minha infância. Não posso deixar de transcrever uma parte do  mesmo  (apesar de estar com muito pouco tempo para este meu post):

 

 

“Qual é o sentido da vida? O que nos faz correr? São perguntas que me ocorrem com frequência. E acredito que sejam perguntas que todos se colocam, pelo menos uma vez na vida.

Eu, ao tentar dar respostas, fui percebendo que o sentido da vida é tão simples e ao mesmo tempo exigente. Mas também percebo que só essa exigência a torna tão bela. Percebi que respostas estruturadas e filosoficamente fundamentadas não me satisfaziam. Descobri que as minhas opções diárias, os meus gestos e os meus compromissos eram a resposta. Fui revelando a mim mesma que a felicidade estava nos momentos em que genuinamente ia ao encontro dos outros e simplesmente estava, ficava, só ficava!

                                                                                               Carmo Fernandes

 

Termino com as palavras de Anselmo Borges:

 

      “Sentido tem a ver com caminho, viagem e direcção - nas estradas, por exemplo, encontramos placas em seta a indicar o caminho e a direcção para alcançar uma meta, um objectivo, um destino. Qual é então o caminho e o sentido da existência humana? O que move a minha vida?

      O famoso psiquiatra Viktor Frankl verificou que nos campos de concentração sobreviviam mais aqueles que ainda tinham um sentido para a existência: reencontrar a família, realizar uma obra, lutar para que nunca mais acontecesse o intolerável. O que significa que o sentido não está em nós, mas fora. Se estivesse em nós, não se colocaria a questão, pois estaria sempre presente. O sentido está no encontro com o mundo e com os outros: é saindo de si que o Homem vem a si. Dá um exemplo: quando se começa a ver pequenas manchas à frente do olho, é bom ir ao médico, pois está doente: o olho é intencional, isto é, não foi feito para se ver a si mesmo, mas o que não é ele. Paradoxalmente, só saindo de si é que o Homem encontra sentido. É o amor que dá sentido. Por isso, sente a vida como tendo sentido quem vê a sua existência reconhecida. A nossa vida não tem sentido, quando não vale para ninguém.”

 

Soube-me bem: Passear no jardim do Palácio dos Aciprestes.

Foi inspirador: Ler o testemunho de Carmo Fernandes.

Agradeço: Todas as manifestações de amizade que tenho tido ultimamente.

 

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publicado por descobrirafelicidade às 19:38
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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

O SENTIDO DA VIDA segundo David Servan Shreiber

“Uma nova perspectiva nasceu das neurociências nos últimos 20 anos: Aquilo que alimenta a nossa vida, não é a razão pura, mas o bom equilíbrio do nosso cérebro emocional que precisa, sobretudo, de ligações, de relações.

Encontra-se em quatro domínios:

· A corporalidade – Se não nos autorizarmos a sentir, saborear, tocar, escutar, observar… levando toda a nossa atenção para o momento presente, se não nos deixarmos envolver completamente pelo prazer de rir ou – mais difícil – pelo sofrimento, então não estamos conectados com o nosso corpo. O desporto, como actividade física, absorve a nossa atenção, a nossa suavidade e a nossa força. A meditação, a escuta atenta do outro durante a qual nós ficamos activamente abertos às sensações que evocam aquilo que ele diz ou faz, são também, uma maneira de nos levar a essa primeira fonte de sentido que é a corporalidade: As ondas que se espalham no interior do nosso corpo assim que ele reage ao mundo e sobre as quais nós podemos escolher concentrar a nossa atenção.


· A intimidade – Naturalmente o Amor. Quando nos olhamos nos olhos e sentimos o coração bater mais forte, não nos colocamos nenhuma questão existencial. Tudo aquilo que nos implica numa relação íntima é a âncora da existência com solidez. Não há dúvida sobre o sentido da existência quando seguramos a mão do nosso filho para o levar pela primeira vez à escola, ou quando ouvimos um coro cantar. Além dos parceiros amorosos ou das crianças, todos aqueles que nos são próximos, todos aqueles por quem estamos prontos a dar-nos, todos os que participam do círculo da nossa intimidade, ligam-nos à vida e dão-lhe sentido.


· A comunidade – Mesmo que tenhamos sido bem sucedidos na nossa vida afectiva temos necessidade de ser úteis fora do nosso circuito próximo de intimidade. Temos necessidade de sentir que contribuímos, de alguma forma, para a sociedade da qual fazemos parte e que acolherá, amanhã, os nossos filhos.


· A espiritualidade – É possível sentirmo-nos ligados a uma dimensão maior. Para alguns a fonte de sentido é o sentimento de estar em presença de algo bem maior que tudo isto. Mesmo se essa presença se chama Deus (ou Alá, ou Jeová) ela aparece simplesmente em face da natureza, ou de certos lugares que nos lembram do quanto somos insignificantes no Universo, ou na imensidade do tempo. Estranhamente, é no momento preciso em que experimentamos esse sentimento de pequenez, que simultaneamente, ela, a vida, parece preenchida de sentido e nós com ela.”

Sentir um enraizamento profundo na comunidade, dar uma parte do nosso tempo por uma causa da qual não retiramos qualquer benefício em troca é, segundo David Servan Schreiber, um dos factores determinantes da felicidade.

É preciso encontrar um sentido: Perguntar sempre o que podemos fazer pela vida e não o que ela pode fazer por nós.

 

Soube-me bem: Ouvir blowin in the wind nas vozes de Peter, Paul and Mary

 

 

 

 

Foi inspirador: Reler David Servan Shreiber

Agradeço: Tudo o que me inspira.

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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Objectivos

 

“Um dos melhores indicadores de felicidade é o facto de uma pessoa considerar ou não que a sua vida tem um sentido, um objectivo (…).

A relação entre ter objectivos e bem-estar parece ser bidireccional. Importante é arquitectar, planificar e atingir objectivos concretos e realistas.”

                                                                                                Margarida de Lima

 

Mesmo que os objectivos tardem a ser concretizados devem existir para que os nossos dias não sejam desprovidos de sentido. Porém, devemos ser capazes de os rever periodicamente em conformidade com a realidade. A construção do nosso caminho faz-se em permanente movimento e exigência de adaptação a novos desafios. A resposta a esta exigência está na nossa flexibilidade e capacidade de mudar num âmbito de coerência.

 

Sugestão de actividade:

 

·         Faça uma projecção da sua vida para daqui a 5 anos.

·         Com se vê?

·         Como gostaria de se ver?

 

Soube-me bem: Olhar para os bonitos cabeçalhos que a Joana enviou.

Foi inspirador: Ouvir a música de Otis Redding.

Agradeço: À Joana Santos o seu belo trabalho. Não sonharia melhor. Obrigada! Fiquei  mesmo feliz.

 

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Terça-feira, 18 de Agosto de 2009

Talentos

 

 

 

 

 

               "Tens ainda por abrir

                Desde o dia em que nasceste

                Tantos dons que Deus te deu

                Tantos dons por explorar."

 

                                                      Hafiz

 

 

      Creio que é algo que deverá estar sempre presente nas nossas mentes: Cada um de nós possui um talento especial para oferecer aos outros.

      Todos fomos contemplados com talentos, dons, capacidades específicas que se mantêm, em grande medida, inexplorados. Será graças ao nosso esforço e à nossa decisão que eles serão descobertos.

      Como nos diz Deepak Chopra devemos focalizar-nos naquilo que temos de especial e perguntar-nos todos os dias: "Como posso ajudar?".

 

      Eis o desafio que nos coloca Stephen Covey no seu livro "O 8º Hábito":

 

1.      De que necessidades me apercebo (na minha família, na minha comunidade, no lugar onde trabalho)?

2.      Será que sou possuidor de um verdadeiro talento que, uma vez disciplinado e praticado, me permita satisfazer aquelas necessidades?

3.      Será que a perspectiva de satisfazer aquelas necessidades vai fazer irromper a minha paixão?

4.      Será que a minha consciência (lei moral interior, é capaz de subordinar o ego a um propósito, causa ou princípio mais elevado, diz-nos que meios e fins são inseparáveis e que os fins já estão implícitos nos meios) me impele a passar à acção e a envolver-me?”

 

 

  

Soube-me bem: Ler o livro "Outras cores" de Orhan Pamuk.

       "Levar um livro no bolso ou na mochila. particularmente em momentos de tristeza, é estar em posse de um outro mundo, um mundo que pode trazer-nos felicidade."

 

Foi inspirador: Ver as pinturas de Michel Rausher (www.michelrauscher.com).

 

Agradeço: A ajuda inestimável do meu filho Afonso que possibilitou o nascimento do meu blog. Sem ela não estaria aqui e agora.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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