Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Obstáculos à gratidão

“E aqueles que recebeis – e vós todos recebeis – não tomai para vós o ónus da gratidão, pois estareis a subjugar vós próprios e o doador.

Procurai, sim, elevar-vos com ele nas suas dádivas como se tivésseis asas.”

                                                                                                                                      Kahlil Gibran

 

Há que reconhecer os obstáculos que se podem apresentar no caminho do pensamento grato. Eis alguns:

 

1.       Percepções divergentes

Muitas vezes as pessoas recebem presentes e reagem com ingratidão – sentem a caridade como opressiva e sentem-se numa posição de inferioridade.

Se quem recebe o benefício acredita que a razão da dádiva é fazer o doador sentir-se generoso e magnânimo acaba por, com esta percepção, destruir a sua gratidão.

É necessário que o receptor sinta que, através do acto de doação, o doador perdeu algo, renunciou a uma oportunidade, ou empreendeu um grande esforço.

O nosso grau de gratidão depende da apreciação interna do custo que representou para o doador e dos motivos que subjazem à oferta recebida.

 

2.       Incapacidade de reconhecer dependência

Não gostamos de nos ver como devedores. A gratidão pressupõe a admissão da nossa vulnerabilidade e dependência dos outros.

 

3.       Ofertas inapropriadas

As ofertas podem ser usadas para controlar quem as recebe e tornar-se fardos indesejados.

 

4.       Pensamento de comparação

Algumas comparações impedem a gratidão.

 

5.       Vitimização

A cultura terapêutica em que vivemos encoraja as pessoas a responsabilizarem alguém pelos seus problemas minimizando, ao mesmo tempo, a responsabilidade pessoal.

A tendência para culpar os outros pode ser um forte obstáculo à gratidão, pois ficamos presos no ressentimento e desejo de retaliação acabando por não apreciar aquilo que a vida tem para nos oferecer.

                                                      Fonte: Obrigado!, Robert Emmons

 

Soube-me bem: Rever esta cena:

 

 

                               Foi inspirador: Um telefonema que fiz ontem.

                                Agradeço: O dia que tenho pela frente.

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publicado por descobrirafelicidade às 12:17
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8 comentários:
De Marta M a 7 de Outubro de 2009 às 22:24
Teresa:
O Profeta é também meu livro de cabeceira ;)
A gratidão verdadeira só nasce também de um coração generoso. Só consegue receber bem e com acolhimento, quem é capaz de o fazer sem manipulação sem intenção de obter um benefício por aquela dádiva. Costumo dar, cumprir a "minha parte" (tenho muito essa consciencia, nem sei se é bom ou mau..) e depois entrego ao Universo e desejo que o receptor seja capaz de o fazer por mais alguém a seguir. Com esses "favores em cadeia" (viste o filme?) em algum momento e Universo nos será grato e acolhedor.
É um semear confiante e mais amplo...
Não sei se me fiz entender.
Abraço cansado ;)

Nota: Também adoro este filme. E o "Melhor impossível" já viste? Adoro.
De descobrirafelicidade a 8 de Outubro de 2009 às 17:51
Marta
Já te disse isto, mas tenho de voltar a repetir: Adoro ler-te. As tuas palavras fluem e nós com elas. É mesmo um dom que tu tens. Que bom teres aparecido no meu caminho.
Também tenho a convicção de que o Universo nos acolhe na sua genuína gratidão. Ainda hoje falava nisso com uns colegas (um deles muito céptico em relação a isto).
Vi também pelo comentário abaixo que mais uma pessoa te encontrou. Fico mesmo feliz com estes encontros! Bjs

Nota: Vi, sim, os filmes de que falas e também gostei muito.
De Anónimo a 8 de Outubro de 2009 às 17:13
Teresa: A nossa conversa ao portão explodiu quando para estar aqui li o comentário da Marta M., que não conheço. Ontem, coloquei o filme Favores em Cadeia na minha pasta para o passar para os alunos. E nem consigo dizer mais nada. Apenas que me soube bem ver-te feliz com o dia 7 de Novembro; que foi inspirador o sentimento de energia que emanava de ti; que agradeço o convite antecipado e que me sinto grata pela possibilidade que o teu post me permite de reflectir sobre os obstáculos à gratidão. Não há nada como estar atenta e tentar contornar os truques e as partidas com que o Universo também nos brinda.
De descobrirafelicidade a 8 de Outubro de 2009 às 17:56
Que bom finalmente teres "ousado" minha querida amiga anónima. Fiquei mesmo feliz por me deixado estas palavras. Abraço grato
De Anónimo a 9 de Outubro de 2009 às 00:16
"Obrigado!"

Obrigada por seres minha amiga !!!

:)

Cidália
De descobrirafelicidade a 9 de Outubro de 2009 às 16:29
Eu é que agradeço a tua, nossa amizade. Que bom que é podermos sempre contar uma com a outra. Bom fim de semana para ti.
De Caminhando... a 9 de Outubro de 2009 às 11:25
Olá!
Antes de mais, não consigo ficar indiferente à ternura de comentário da tua amiga Cidália. Derreti mesmo :)

Hoje, penso que só se pede, exige, e não ase agradece pelo que se tem. É pena pois, tal colorido que fica o mundo quando agradecemos pelas coisas que temos, pelas pessoas que nos rodeiam e pela beleza que este mundo tem.

Um Obrigado faz bem tanto a quem o recebe, como a quem o diz.

Gosto também imenso dessa cena do filme ;) Já me fizeste abanicar aqui na cadeira

Um abraço amigo e de contentamento por te ter encontrado, e agradecido pelo que aprendo e reflicto ao ler-te!
De descobrirafelicidade a 9 de Outubro de 2009 às 16:32
Tens razão Joana. Também acho que se pede muito e agradece pouco partindo-se do princípio que tudo nos é devido. E tanto temos para agradecer... Um fim de semana sorridente para ti

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Descobrir a Felicidade

O tema da felicidade tem dominado os livros, estudos académicos e palestras dos últimos tempos. Inunda campos que vão desde a filosofia política, psicologia, sociologia e literatura até modelos económicos. Procura-se a “fórmula da felicidade” e a solução da “equação da felicidade”. As sociedades modernas parecem ter submergido ao “dever da felicidade”. Esta moda da felicidade em conjunto com a retórica dos livros de auto-ajuda e do pensamento positivo quase me afastou deste projecto que, paradoxalmente, teve o seu embrião justamente com ela: Construir um “portfolio da felicidade”. Muito do que li ajudou-me, de facto, a ter consciência da minha felicidade e a experimentar com maior frequência estados de profundo bem-estar. Partilhar aquelas que considero serem as fontes essenciais da felicidade tornou-se uma prioridade. Cada um é “feliz à sua maneira”, mas a “porta da felicidade abre para fora”, como nos diz Kierkegaard, e gostaria que a “minha” (resultado de tantas outras) fosse uma porta que se abrisse a todos aqueles a quem a casa da felicidade possa acolher.




“L`hiver a cessé: la lumière est tiède
Et danse, du sol au firmament claire.
Il faut que le cœur le plus triste cède
A l`immense joie éparse dans l`air. »

Paul Verlaine


“A conversa com um amigo, a descoberta de um livro, uma gravura, uma visita a um museu, o contacto com a música podem significar momentos de grande apaziguamento, de grande serenidade, de grande enriquecimento interior. É nisso que consiste a felicidade, quando há uma coincidência entre aquilo que nós somos e o Mundo em que estamos.”
Mário Claudio


“Happiness comes from the capacity to feel deeply, to enjoy simply, to think freely, to risk life and to be needed."
S. Jameson





“Tenho uma missão, embora pequena: Ajudar outros que, como eu, andam à procura, quanto mais não seja pelo facto de lhes garantir que não estão sós.”

Herman Hesse

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