Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Arte e espiritualidade

“Um traço feito com a régua é um traço morto. Só é verdadeira a pintura em que o pincel é guiado pelo Espírito e se concentra no Uno.”

                                                                        Chang-Yen-Yuan

            Um dos princípios base de toda a expressão artística chinesa é o vazio, o espaço a partir do qual a obra poderá materializar-se. A pintura ideal não é acabada no papel, mas no espírito daquele que a contempla. São os “brancos” da pintura, os silêncios da música, o “além – das – palavras” do poema que importam. Enquanto para os ocidentais o vazio se associa ao nada, para os chineses é um lugar de trocas em perpétuo movimento, é a casa dos sopros vitais e, portanto, do divino. O Vazio é a manifestação do Absoluto.

            Entendendo a espiritualidade como uma abertura ao que nos transcende, como um olhar mais amplo que nos faz ver uma dimensão maior, uma união mais completa com o nosso verdadeiro ser, com os outros e com toda a criação, podemos, sem dúvida, considerar a arte como uma porta aberta à experiência espiritual.

                  Ao entrarmos no mundo da arte abrimos o nosso coração num envolvimento dos sentidos. A arte desperta em nós a vontade de realização e alcance da plenitude do ser.

                  Excerto do meu livro "Sementes de bem-estar na sabedoria chinesa".

 

Soube-me bem: Vislumbrar o fim de semana prolongado.

Foi inspirador: Reler estas palavras de Balthus: "Para um pintor o tempo é antes de tudo luz. Uma sucessão de instantes de luz."

Agradeço: A pintura como oração.

 

 

 

publicado por descobrirafelicidade às 16:46
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8 comentários:
De Nucha a 3 de Outubro de 2009 às 11:55
Teresa,
Que bonito!Vou comprar o teu livro.Surpreendes-me a cada post e isso é muito bom.Deve ser por isso que gosto de vir aqui, também mas não só...
Bom fim de semana grande.
Nucha
De descobrirafelicidade a 3 de Outubro de 2009 às 12:46
Obrigada Nucha! E não vais comprar nada. Tenho um reservado para ti. O meu maior contentamento é sentir que, de alguma forma, vou ao encontro das pessoas e se puder ir sem moeda pelo meio fico ainda mais feliz. Um abraço grande e fim de semana tranquilo para ti.
De Marta M a 4 de Outubro de 2009 às 00:18
O teu texto é denso e permite que nos demoremos a lê-lo...A arte leva-nos sempre mais longe, porque é a expressão mais profunda do muito que tantos levam por dentro e assim, encontram uma forma de o partilhar, de o mostrar. A arte eleva-nos, tens razão.
Encontro paz na pintura, há muito tempo que viajo dentro das cores e das formas.
E faz-me tão bem ;)
Gostaria de saber mais sobre o teu livro. Poderias ir citando-o mais vezes?
Adoro aprofundar certas temáticas.
Se são, por cima, palavras de uma nova amiga, estudiosa do tema,melhor ainda.
Abraço grande
De descobrirafelicidade a 4 de Outubro de 2009 às 10:48
Muito obrigada Marta. Tenho evitado citar o meu livrinho (é, propositadamente, muito pequeno) a ver se não me repito e se não maço quem já o leu. Mas às vezes fica difícil não me repetir porque a essência do que é, para mim, o pensamento chinês está lá. Anteontem resolvi escrever aquela passagem porque a estava a sentir na totalidade e sabia que as minhas novas amigas ainda não a tinham lido. Fiquei muito feliz por ter ido ao vosso encontro. Agora, se não te importas, vou acabar a minha resposta via e-mail. Um abraço grande para ti também

De Caminhando... a 4 de Outubro de 2009 às 21:43
Olá :)
Antes de mais, Parabéns pelo teu livro!! Gostei muito desse pequeno excerto!
A minha opinião, ou melhor, o que sinto relativamente à arte, já to o disseste: "Ao entrarmos no mundo da arte abrimos o nosso coração num envolvimento dos sentidos. A arte desperta em nós a vontade de realização e alcance da plenitude do ser. "

Beijinho grande e gosto cada vez mais de te ir conhecendo ;)
De descobrirafelicidade a 6 de Outubro de 2009 às 18:15
Obrigada Joana. Eu também gosto cada vez mais de te ir conhecendo. É mesmo bom este sentimento de amizade que já sinto por ti. Abraço
De Celia Pereira a 7 de Outubro de 2009 às 12:45
Adorei o seu blog. Sempre que possa venho dar uma espreitadela.
Bjs
Celia
De descobrirafelicidade a 7 de Outubro de 2009 às 13:33
Que bom vê-la por aqui Célia. Bom mesmo. Não sabia que me visitava. Volte sempre tá?

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Descobrir a Felicidade

O tema da felicidade tem dominado os livros, estudos académicos e palestras dos últimos tempos. Inunda campos que vão desde a filosofia política, psicologia, sociologia e literatura até modelos económicos. Procura-se a “fórmula da felicidade” e a solução da “equação da felicidade”. As sociedades modernas parecem ter submergido ao “dever da felicidade”. Esta moda da felicidade em conjunto com a retórica dos livros de auto-ajuda e do pensamento positivo quase me afastou deste projecto que, paradoxalmente, teve o seu embrião justamente com ela: Construir um “portfolio da felicidade”. Muito do que li ajudou-me, de facto, a ter consciência da minha felicidade e a experimentar com maior frequência estados de profundo bem-estar. Partilhar aquelas que considero serem as fontes essenciais da felicidade tornou-se uma prioridade. Cada um é “feliz à sua maneira”, mas a “porta da felicidade abre para fora”, como nos diz Kierkegaard, e gostaria que a “minha” (resultado de tantas outras) fosse uma porta que se abrisse a todos aqueles a quem a casa da felicidade possa acolher.




“L`hiver a cessé: la lumière est tiède
Et danse, du sol au firmament claire.
Il faut que le cœur le plus triste cède
A l`immense joie éparse dans l`air. »

Paul Verlaine


“A conversa com um amigo, a descoberta de um livro, uma gravura, uma visita a um museu, o contacto com a música podem significar momentos de grande apaziguamento, de grande serenidade, de grande enriquecimento interior. É nisso que consiste a felicidade, quando há uma coincidência entre aquilo que nós somos e o Mundo em que estamos.”
Mário Claudio


“Happiness comes from the capacity to feel deeply, to enjoy simply, to think freely, to risk life and to be needed."
S. Jameson





“Tenho uma missão, embora pequena: Ajudar outros que, como eu, andam à procura, quanto mais não seja pelo facto de lhes garantir que não estão sós.”

Herman Hesse

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