Domingo, 27 de Setembro de 2009

Um legado de esperança (continuação)

Envelhecer é um processo inexorável, mas em cujo ritmo e forma se pode intervir. Como nos diz João Lobo Antunes “as limitações da idade ou as dificuldades que experimentamos com o tempo são influenciadas pelas oportunidades que tivemos de interagir com outros, por novas experiências económicas e educativas, pela exposição ao stress físico ou social e pelos sucessos que vamos colhendo ao longo da vida.”

Envelhecer bem é um processo que se aprende e prepara desde a mais tenra idade. Manter a curiosidade, viver intensamente cada momento que passa, enriquecer interesses, cultivar o bom humor, praticar exercício físico, fazer uma alimentação equilibrada, treinar a memória, investir nas relações de amizade, planear, estabelecer objectivos (as metas dão sentido à vida) são factores – chave para uma longevidade saudável. 

 A sensação de finitude impede-nos de perder tempo. Este vale agora mais e reclama contra o desperdício.

Acredito que na sociedade do futuro os idosos voltarão a ser um valor de sabedoria e apaziguamento. “Viver-se-á mais devagar para se existir mais profundamente" como diz Fernando Dacosta.

Uma longevidade saudável é possível como um legado de esperança.

 

Soube-me bem: O curso que iniciei ontem no Museu do Oriente. Aprender, aprender sempre, é das coisas que me dá maior bem estar. 

Foi inspirador: O post da Joana "Envelhecer com um sorriso" - caminhoparaaliberdade.blogs.sapo.pt/28393.html - foi ele que inspirou o meu post de hoje.

Agradeço: Tudo o que me tem sido ensinado, todas as oportunidades de aprendizagem.

 

publicado por descobrirafelicidade às 13:50
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6 comentários:
De Marta M a 27 de Setembro de 2009 às 17:51
"Viver-se-á mais devagar para se existir mais profundamente.”
Esta sabedoria que só a vivência nos traz é muito verdadeira e faz tanto sentido..Para mim, é prática que está no meu horizonte há alguns anos e com maior intensidade desde pratico yoga com regularidade.
O texto de Lobo Antunes é muito interessante e mostra-nos perspectivas inusuais sobre o envelhecimento. E muito realistas também, no sentido em que não escamoteia a dificuldade de viver essas fase e a necessidade de encontrar um sentido para ela.
Não é fácil e como diz Bette Davis , é tarefa para gente forte. De um ponto de vista pessoal, e do que tenho apreciado à minha volta, parece-me também, essencial, chegar a essa fase da vida com a maior parte dos nossos "assuntos e tensões" resolvidos e acabados...Na medida do possível, claro.
Do pior que tenho assistido é assistir ao envelhecimento de algumas pessoas e ver persistir (e até agravar) as suas piores características , não evoluindo e tornando-se apenas uma versão mais "cansada" daquele pessoa difícil que sempre foram.
Fico triste e impotente quando isso acontece e quase concluo que, algumas pessoas desperdiçaram um oportunidade única e partem sem perceber ao que vieram...
Triste.
Bom Domingo para ti.
De descobrirafelicidade a 27 de Setembro de 2009 às 19:24
Marta
"Viver mais devagar para existir mais profundamente"... Tão bonito isto não é? Reparei agora que, na pressa, não tinha dito quem era o autor desta frase e já acrescentei. E é exactamente a opinião que tenho relativamente ao texto do João Lobo Antunes: "não escamoteia a dificuldade de viver essas fase e a necessidade de encontrar um sentido para ela." Temos de ser fortes para envelhecer.
Para mim o maior problema da velhice é uma maior propensão para perder o sentido, os objectivos (é uma das razões porque admiro o Manuel de Oliveira - consegue ter sempre uma meta a atingir).
Numa das coisas que tinha escrito no meu diário, sobre a velhice, tenho uma frase do Ernesto Sabato: "porque quando sómente se espera, quando não restam ilusões, nem obsessões, nem literatura, quando se viu partir aqueles que viveram connosco, então qualquer coisa dita é nada, é muito pouca coisa."
Não queria de modo algum perder os meus sonhos. Queria evoluir sempre e também fico muito triste quando vejo nalgumas pessoas a tal "versão mais "cansada" daquela pessoa difícil que sempre foram."
Mas não quero ficar triste e acredito que consigamos esta existência mais profunda num viver mais devagar. Uma boa semana para ti Marta

P.S. Já conseguiste corrigir a bateria de testes? Espero que agora alguma tranquilidade te aguarde.
De Caminhando... a 28 de Setembro de 2009 às 21:31
Olá!
Muito bonito este teu texto!

Achei lindissima esta frase: “Viver-se-á mais devagar para se existir mais profundamente"

Que todos possamos envelhecer com dignidade e respeito.

Beijinhos e uma boa semana :)
De descobrirafelicidade a 29 de Setembro de 2009 às 19:23
Joana
Também acho esta frase linda e quero acreditar neste existir mais profundo na minha velhice. Um abraço e bom resto de semana para ti também
De Joice Gozzi a 29 de Outubro de 2009 às 20:43
Olá professora Teresa, estou vendo o seu blog aos poucos e me sinto mais perto de si, assim mato um pouco das saudades suas.
Beijão.
De descobrirafelicidade a 29 de Outubro de 2009 às 20:50
Oi Joice

Não imagina o bem que me fizeram estas suas palavras. Eu hoje estava tão desanimada. Foi a minha âncora do dia acredite. Um abraço cheio de carinho

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Descobrir a Felicidade

O tema da felicidade tem dominado os livros, estudos académicos e palestras dos últimos tempos. Inunda campos que vão desde a filosofia política, psicologia, sociologia e literatura até modelos económicos. Procura-se a “fórmula da felicidade” e a solução da “equação da felicidade”. As sociedades modernas parecem ter submergido ao “dever da felicidade”. Esta moda da felicidade em conjunto com a retórica dos livros de auto-ajuda e do pensamento positivo quase me afastou deste projecto que, paradoxalmente, teve o seu embrião justamente com ela: Construir um “portfolio da felicidade”. Muito do que li ajudou-me, de facto, a ter consciência da minha felicidade e a experimentar com maior frequência estados de profundo bem-estar. Partilhar aquelas que considero serem as fontes essenciais da felicidade tornou-se uma prioridade. Cada um é “feliz à sua maneira”, mas a “porta da felicidade abre para fora”, como nos diz Kierkegaard, e gostaria que a “minha” (resultado de tantas outras) fosse uma porta que se abrisse a todos aqueles a quem a casa da felicidade possa acolher.




“L`hiver a cessé: la lumière est tiède
Et danse, du sol au firmament claire.
Il faut que le cœur le plus triste cède
A l`immense joie éparse dans l`air. »

Paul Verlaine


“A conversa com um amigo, a descoberta de um livro, uma gravura, uma visita a um museu, o contacto com a música podem significar momentos de grande apaziguamento, de grande serenidade, de grande enriquecimento interior. É nisso que consiste a felicidade, quando há uma coincidência entre aquilo que nós somos e o Mundo em que estamos.”
Mário Claudio


“Happiness comes from the capacity to feel deeply, to enjoy simply, to think freely, to risk life and to be needed."
S. Jameson





“Tenho uma missão, embora pequena: Ajudar outros que, como eu, andam à procura, quanto mais não seja pelo facto de lhes garantir que não estão sós.”

Herman Hesse

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