Domingo, 20 de Setembro de 2009

Muhammad Yunus

             Muhammad Yunus é o exemplo de um homem que encontrou a sua voz e inspirou outros a encontrar a deles: Apercebeu-se de uma necessidade humana e respondeu ao apelo da sua consciência, aplicando o talento e a paixão à satisfação dessa mesma necessidade.

Há cerca de 30 anos atrás, recém diplomado nos Estados Unidos, M. Yunus voltou para o Bangladesh. Quando saia da Universidade onde dava aulas de Economia sentia que todas as teorias económicas que ensinava, eram simplesmente “histórias de encantar”: Não tinham qualquer significado na situação de miséria das pessoas que o rodeavam. Com o desejo de fazer algo “para prolongar a vida ou adiar a morte, nem que fosse de uma só pessoa” começou a observar a vida dos habitantes da aldeia, situada junto ao campus universitário.

            O encontro com uma artesã de bancos de bambu vai mudar o rumo da sua vida. Após um longa conversa descobre que os rendimentos da artesã, pelos seus bonitos bancos , não excediam uns escassos cêntimos de dólar por dia. Devido ao facto de não ter dinheiro para comprar o bambu, que custava 20 cêntimos, esta mulher tinha de pedi-lo emprestado a um negociante que impunha, como condição, que o produto lhe fosse vendido em exclusivo, ao preço que ele estipulasse.

            Muhammmad Yunus pergunta-se se não há nada que se possa fazer para evitar o sofrimento de pessoas por apenas 20 cêntimos. Com os seus alunos percorre a aldeia e verifica que existem 42 pessoas nas mesmas condições. Sentiu-se envergonhado de fazer parte de uma sociedade que “não podia facultar uns meros 27 dólares a quarenta e dois esforçados seres humanos com tão elevada aptidão profissional”.

            Depois de ter dado do seu bolso os 27 dólares a estas pessoas, dizendo-lhes que se tratava de um empréstimo e que elas podiam reembolsá-lo quando pudessem, foi à agência bancária do campus universitário, sugerir que fossem concedidos empréstimos às pessoas necessitadas da aldeia. A resposta que tem é: “O senhor está louco! Não é possível! Como é que podemos emprestar dinheiro aos pobres? Essa gente não merece crédito.”

            O pagamento na totalidade do empréstimo, que concedera aos aldeãos, deu-lhe a prova que achava suficiente para que fosse concedido crédito àqueles que mais necessitavam, mas não. Disseram-lhe que se tratava de um caso isolado e que o queriam apenas enganar.

            Após uma luta em que sempre se deparou com a intransigência do Banco, tomou uma decisão: Criar um banco diferente. Levou dois anos a convencer o governo, abrindo a 2 de Outubro de 1983 o Grameen Bank.

            Yunus encontrou a sua voz e inspirou outros a encontrar a deles: O movimento do micro crédito está actualmente a estender-se por todo o mundo.

 

                    Soube-me bem: Chegar a casa, ontem à noite, depois de ver o filme "Abraços desfeitos" e ouvir Caetano Veloso.

                      Foi inspirador: Almodóvar... É sempre, mesmo neste filme nada inovador, Almodóvar é um cineasta que me leva do choro ao riso em segundos e me transporta ao mundo das emoções.

                        Agradeço: O azul do céu.

 

publicado por descobrirafelicidade às 12:27
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4 comentários:
De Cid a 21 de Setembro de 2009 às 23:52
Oh professora Teresa!

Na àrea da economia poucas histórias tão bonitas como a do Yunus.

Muito bem escolhido! como sempre, em grande.

Gostava de ter sido tua aluna. Será que me posso cadidatar às novas opotunidades?

acho que me faria bem escrever um daqueles trabalhos finais de curso ... sabes o que estou a falar ...

Um beijo
CID
De descobrirafelicidade a 22 de Setembro de 2009 às 17:29
Que bom sentir a minha amiga a fazer-me companhia. Nem que seja pelo facto de assim, dar para contactarmos mais, acho que já valeu este blog. Obrigada minha linda e mesmo não indo para as novas oportunidades podes escrever um trabalho "daqueles" que ia enriquecer muita gente, tenho a certeza. Um beijo para ti também
De Marta M a 25 de Setembro de 2009 às 13:04
Teresa:
Encontrar a nossa "voz" é algo muito poderoso, não é?
Às vezes sinto mesmo que a encontrei e, no entanto, pequenos e grandes nadas vão me desviando do caminho.
Estranho...Parecem testes finais.
Percebes?
Abraço do intervalo das aulas ;)~
Marta M
De descobrirafelicidade a 25 de Setembro de 2009 às 22:52
Creio que percebo perfeitamente o que dizes, pois sinto exactamente o mesmo. Durante muito tempo me perguntei "qual era a minha razão de ser" achando que não sabia de todo. Depois, quando parece que enfim, ela aí está, vêm períodos em que acho que, afinal, não encontrei ainda a minha verdadeira voz. Serão os testes finais?
Em todo o caso, encontrámo-nos uma à outra e isso, creio, ajuda muito o encontro da nossa voz. Um abraço e bom fim de semana

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Descobrir a Felicidade

O tema da felicidade tem dominado os livros, estudos académicos e palestras dos últimos tempos. Inunda campos que vão desde a filosofia política, psicologia, sociologia e literatura até modelos económicos. Procura-se a “fórmula da felicidade” e a solução da “equação da felicidade”. As sociedades modernas parecem ter submergido ao “dever da felicidade”. Esta moda da felicidade em conjunto com a retórica dos livros de auto-ajuda e do pensamento positivo quase me afastou deste projecto que, paradoxalmente, teve o seu embrião justamente com ela: Construir um “portfolio da felicidade”. Muito do que li ajudou-me, de facto, a ter consciência da minha felicidade e a experimentar com maior frequência estados de profundo bem-estar. Partilhar aquelas que considero serem as fontes essenciais da felicidade tornou-se uma prioridade. Cada um é “feliz à sua maneira”, mas a “porta da felicidade abre para fora”, como nos diz Kierkegaard, e gostaria que a “minha” (resultado de tantas outras) fosse uma porta que se abrisse a todos aqueles a quem a casa da felicidade possa acolher.




“L`hiver a cessé: la lumière est tiède
Et danse, du sol au firmament claire.
Il faut que le cœur le plus triste cède
A l`immense joie éparse dans l`air. »

Paul Verlaine


“A conversa com um amigo, a descoberta de um livro, uma gravura, uma visita a um museu, o contacto com a música podem significar momentos de grande apaziguamento, de grande serenidade, de grande enriquecimento interior. É nisso que consiste a felicidade, quando há uma coincidência entre aquilo que nós somos e o Mundo em que estamos.”
Mário Claudio


“Happiness comes from the capacity to feel deeply, to enjoy simply, to think freely, to risk life and to be needed."
S. Jameson





“Tenho uma missão, embora pequena: Ajudar outros que, como eu, andam à procura, quanto mais não seja pelo facto de lhes garantir que não estão sós.”

Herman Hesse

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