Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Os nós cegos da economia

 

  •        " Imagem ultra simplificada da natureza humana, partindo do princípio de que as pessoas são unicamente motivadas pelo desejo de maximizar o lucro.
  •       Princípio de que a solução da pobreza está na criação de empregos para todos – que a única forma de ajudar os pobres é proporcionar-lhes postos de trabalho. O único tipo de trabalho que a maioria dos livros de economia reconhece é o trabalho dependente.
  •       Não reconhecer a família como uma unidade de produção e o trabalho independente como uma forma de ganhar a vida. As pessoas deviam ter a opção de poder escolher entre o trabalho dependente e independente.
  •       Suposição de que o empreendedorismo é uma qualidade rara. Pelo contrário, a capacidade empreendedora é praticamente universal. A sociedade nunca deu às pessoas pobres uma base adequada para crescerem. Quando os pobres forem autorizados a libertarem a sua energia e criatividade, a pobreza desaparecerá rapidamente."                                                                             Muhammad Yunus

 

Para Muhammmad Yunus a principal tarefa de um programa de desenvolvimento é tentar despertar a criatividade que existe em cada ser humano. Na sua base  está a criação de um ambiente favorável que permita a cada ser humano explorar o seu potencial criativo.

 

No livro "Criar um mundo sem pobreza" M. Yunus fala-nos do talento nato de todos os seres humanos – o talento para sobreviver. Diz-nos que concentrou os seus esforços no que pudesse  possibilitar a concretização do potencial dos mais pobres. "Dar aos pobres acesso ao crédito permite-lhes pôr imediatamente em prática os talentos de que já dispõem – tecer, descascar arroz, criar gado e guiar um riquexó" (…).

 

(…) Decisores públicos, consultores internacionais e muitas ONG partem, normalmente, do princípio oposto – que as pessoas são pobres porque não têm aptidões. Baseados neste conceito, os seus esforços antipobreza começam por ser construídos em volta de elaborados programas de formação. Eles optam pela formação porque esse é o caminho que indicam as avaliações viciadas que tomam por princípio. Mas se vivermos tempo suficiente com os pobres, descobrimos que a pobreza se deve à incapacidade de retenção dos resultados do seu trabalho. Eles não têm qualquer controlo sobre o capital. Os pobres trabalham para benefício de outros que controlam o capital.

E porque é que isto acontece? Porque os pobres não herdam qualquer capital e porque ninguém, no sistema convencional, lhes dá acesso a capital ou a crédito (…).

(…) E quanto à formação profissional? A formação, per se, não tem nada de mal. Pode ser extremamente importante para ajudar pessoas a ultrapassar dificuldades económicas. Mas a formação pode ser dada apenas a um número limitado de pessoas. Para responder às necessidades de uma vasta massa de pobres, a melhor estratégia é deixar que as suas aptidões naturais se desenvolvam, antes de começar a ensinar-lhes aptidões novas. Conceder crédito aos pobres e deixá-los usufruir dos frutos do seu trabalho – muitas vezes, pela primeira vez na vida deles – ajuda a criar uma situação em que eles próprios sentirão necessidade de formação, começando a procurá-la e dispondo-se até a pagar por ela (embora, em grande parte das vezes, não mais do que a um preço simbólico). Nestas condições, a formação pode ser realmente importante e eficaz.”

   

        Estas palavras levam-nos a reflectir na nossa cegueira perante a energia e criatividade de todos os seres humanos e nos muros que são impostos à metade inferior da população mundial.

 

           Soube-me bem: Ter a tarde e noite livres nesta sexta-feira.

           Foi inspirador: Ir à livraria do meu bairro e folhear "O livro dos saberes".

           Agradeço: Todas as oportunidades que me têm sido concedidas.

 

publicado por descobrirafelicidade às 15:43
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5 comentários:
De Marta M a 19 de Setembro de 2009 às 21:27
Teresa:
Este post é muito esclarecedor sobre a filosofia de vida e movimento de apoio às populações que é encabeçada pelo o Nobel da Paz Muhammad Yunus .
Confesso que fiquei a perceber melhor as suas propostas: colocar o talento de cada um ao serviço de si mesmo, no sentido em que cada um controla o seu trabalho e retém o capital gerado em seu benefício. Também se celebra esta proposta de apoiar o empreendedorismo e não apenas a criação de condições para que as multinacionais vão a esses países criar empregos tanta vezes de cariz neocolonial ( explorador), como se sabe.
Ainda bem que nem todos se resignam e, perante problemas velhos como a humanidade, conseguem ver soluções para além das formulas das cartilhas liberais
Procurar soluções dentro das características e do potencial de cada comunidade parece-me muito inteligente e com mais potencial do que toda a formação "imposta" de forma unilateral . Tem razão.
Sempre gostei de novos olhares sobre "velhas" realidades e de como as pessoas, se acreditarmos nelas, conseguem ,tantas vezes surpreender-nos pela positiva.
Sei que não é fórmula única, nem infalível, mas é um caminho de esperança e isso é sempre positivo e constrói.
Obrigada hoje aprendi mais uma coisa.
Abraço
De descobrirafelicidade a 20 de Setembro de 2009 às 12:51
Marta
Hoje não era para postar, mas o teu feedback motivou-me a que o fizesse. É a tal compreensão que sinto da tua parte que me dá um ânimo enorme para aqui escrever. Desta últimavez achei que não ia interessar asim muito, mas quando li o teu comentário fiquei super alegre por ter chegado, pelo menos, a uma pessoa. E isso é o que importa para mim. Um abraço grande e bom resto de domingo
De Nucha a 20 de Setembro de 2009 às 21:58
Teresa,
Nao chegaste a uma só pessoa...duas podes contar.
Abraço.
Nucha
De descobrirafelicidade a 21 de Setembro de 2009 às 17:05

Que bom Nucha!É mesmo saber que estás aqui comigo. Um abraço grande e boa semana
De Marta M a 21 de Setembro de 2009 às 22:15
Teresa:
Como era possível não ser interessante ler sobre um homem inspirado e inpirador com Yunus?
Abraço e, por favor, continua - é um gosto vir aqui!

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Descobrir a Felicidade

O tema da felicidade tem dominado os livros, estudos académicos e palestras dos últimos tempos. Inunda campos que vão desde a filosofia política, psicologia, sociologia e literatura até modelos económicos. Procura-se a “fórmula da felicidade” e a solução da “equação da felicidade”. As sociedades modernas parecem ter submergido ao “dever da felicidade”. Esta moda da felicidade em conjunto com a retórica dos livros de auto-ajuda e do pensamento positivo quase me afastou deste projecto que, paradoxalmente, teve o seu embrião justamente com ela: Construir um “portfolio da felicidade”. Muito do que li ajudou-me, de facto, a ter consciência da minha felicidade e a experimentar com maior frequência estados de profundo bem-estar. Partilhar aquelas que considero serem as fontes essenciais da felicidade tornou-se uma prioridade. Cada um é “feliz à sua maneira”, mas a “porta da felicidade abre para fora”, como nos diz Kierkegaard, e gostaria que a “minha” (resultado de tantas outras) fosse uma porta que se abrisse a todos aqueles a quem a casa da felicidade possa acolher.




“L`hiver a cessé: la lumière est tiède
Et danse, du sol au firmament claire.
Il faut que le cœur le plus triste cède
A l`immense joie éparse dans l`air. »

Paul Verlaine


“A conversa com um amigo, a descoberta de um livro, uma gravura, uma visita a um museu, o contacto com a música podem significar momentos de grande apaziguamento, de grande serenidade, de grande enriquecimento interior. É nisso que consiste a felicidade, quando há uma coincidência entre aquilo que nós somos e o Mundo em que estamos.”
Mário Claudio


“Happiness comes from the capacity to feel deeply, to enjoy simply, to think freely, to risk life and to be needed."
S. Jameson





“Tenho uma missão, embora pequena: Ajudar outros que, como eu, andam à procura, quanto mais não seja pelo facto de lhes garantir que não estão sós.”

Herman Hesse

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