Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

O SENTIDO DA VIDA segundo David Servan Shreiber

“Uma nova perspectiva nasceu das neurociências nos últimos 20 anos: Aquilo que alimenta a nossa vida, não é a razão pura, mas o bom equilíbrio do nosso cérebro emocional que precisa, sobretudo, de ligações, de relações.

Encontra-se em quatro domínios:

· A corporalidade – Se não nos autorizarmos a sentir, saborear, tocar, escutar, observar… levando toda a nossa atenção para o momento presente, se não nos deixarmos envolver completamente pelo prazer de rir ou – mais difícil – pelo sofrimento, então não estamos conectados com o nosso corpo. O desporto, como actividade física, absorve a nossa atenção, a nossa suavidade e a nossa força. A meditação, a escuta atenta do outro durante a qual nós ficamos activamente abertos às sensações que evocam aquilo que ele diz ou faz, são também, uma maneira de nos levar a essa primeira fonte de sentido que é a corporalidade: As ondas que se espalham no interior do nosso corpo assim que ele reage ao mundo e sobre as quais nós podemos escolher concentrar a nossa atenção.


· A intimidade – Naturalmente o Amor. Quando nos olhamos nos olhos e sentimos o coração bater mais forte, não nos colocamos nenhuma questão existencial. Tudo aquilo que nos implica numa relação íntima é a âncora da existência com solidez. Não há dúvida sobre o sentido da existência quando seguramos a mão do nosso filho para o levar pela primeira vez à escola, ou quando ouvimos um coro cantar. Além dos parceiros amorosos ou das crianças, todos aqueles que nos são próximos, todos aqueles por quem estamos prontos a dar-nos, todos os que participam do círculo da nossa intimidade, ligam-nos à vida e dão-lhe sentido.


· A comunidade – Mesmo que tenhamos sido bem sucedidos na nossa vida afectiva temos necessidade de ser úteis fora do nosso circuito próximo de intimidade. Temos necessidade de sentir que contribuímos, de alguma forma, para a sociedade da qual fazemos parte e que acolherá, amanhã, os nossos filhos.


· A espiritualidade – É possível sentirmo-nos ligados a uma dimensão maior. Para alguns a fonte de sentido é o sentimento de estar em presença de algo bem maior que tudo isto. Mesmo se essa presença se chama Deus (ou Alá, ou Jeová) ela aparece simplesmente em face da natureza, ou de certos lugares que nos lembram do quanto somos insignificantes no Universo, ou na imensidade do tempo. Estranhamente, é no momento preciso em que experimentamos esse sentimento de pequenez, que simultaneamente, ela, a vida, parece preenchida de sentido e nós com ela.”

Sentir um enraizamento profundo na comunidade, dar uma parte do nosso tempo por uma causa da qual não retiramos qualquer benefício em troca é, segundo David Servan Schreiber, um dos factores determinantes da felicidade.

É preciso encontrar um sentido: Perguntar sempre o que podemos fazer pela vida e não o que ela pode fazer por nós.

 

Soube-me bem: Ouvir blowin in the wind nas vozes de Peter, Paul and Mary

 

 

 

 

Foi inspirador: Reler David Servan Shreiber

Agradeço: Tudo o que me inspira.

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publicado por descobrirafelicidade às 15:23
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3 comentários:
De Marta M a 2 de Setembro de 2009 às 23:26
Teresa:
Que texto bonito e inspirador.
Citando:"A meditação, a escuta atenta do outro durante a qual nós ficamos activamente abertos às sensações que evocam aquilo que ele diz ou faz" é algo que se encaixa perfeitamente em sensações que tenho vindo a experimentar, particularmente no último ano. A prática continuada de Yoga tem feito mais por mim mais de que todas as terapias que me sugeriram...Não há lexotan " que se compare ao relaxamento. à calma, à paz e ao aumento da consciência corporal que me tem proporcionado ter aprendido a técnica da respiração em profundidade...
Para além dos benefícios em termos de desenvolvimento da musculatura que me fortaleceram bastante.
Quanto à disponibilidade para os outros de forma mais alargada, penso também que é um forma muito útil e compensadora de dar sentido a tantas vidas depressivas...Já o aconselhei a imensas pessoas com resultados sempre positivos. Eu em primeiro lugar, claro!
Havia tanto a falar deste seu post , mas amanhã é dia de trabalho e tenho que ler um pouco antes de dormir. Se não, não durmo ;)
Obrigada por postar um assunto tão interessante.
Abraço
Marta
De descobrirafelicidade a 3 de Setembro de 2009 às 12:51
Obrigada Marta. Gosto realmente muito do D.S.S.
Quanto ao yoga também o pratico há uns bons aninhos (com tai chi pelo meio), mas não com a assiduidade que devia e provavelmente, por isso, ainda não sinto os seus benefícios a 100%.
Havia realmente muito para falar, mas hoje também tenho um dia preenchido e não quis deixar de lhe dar um alô antes da confusão. Já vi que a sua escola é muito activa. A minha ainda vai a meio gás. Um abraço
De Sheila a 4 de Setembro de 2009 às 02:40
Sabes não concebo o meu dia a dia sem as ligações, pontes ou relações que tenho à minha volta.
Nunca conseguiria viver em solidão. É verdade que gosto dos meus momentos a sós comigo mesma, mas tudo no meu dia a dia, o que faço, as pessoas que conheço e que não conheço, os sitios por onde passo, tudo me inspira e me dá alento para continuar o meu caminho, acima de tudo um dia de cada vez e sempre com a certeza e persistência necessária de que tudo é importante!
Beijocas

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Descobrir a Felicidade

O tema da felicidade tem dominado os livros, estudos académicos e palestras dos últimos tempos. Inunda campos que vão desde a filosofia política, psicologia, sociologia e literatura até modelos económicos. Procura-se a “fórmula da felicidade” e a solução da “equação da felicidade”. As sociedades modernas parecem ter submergido ao “dever da felicidade”. Esta moda da felicidade em conjunto com a retórica dos livros de auto-ajuda e do pensamento positivo quase me afastou deste projecto que, paradoxalmente, teve o seu embrião justamente com ela: Construir um “portfolio da felicidade”. Muito do que li ajudou-me, de facto, a ter consciência da minha felicidade e a experimentar com maior frequência estados de profundo bem-estar. Partilhar aquelas que considero serem as fontes essenciais da felicidade tornou-se uma prioridade. Cada um é “feliz à sua maneira”, mas a “porta da felicidade abre para fora”, como nos diz Kierkegaard, e gostaria que a “minha” (resultado de tantas outras) fosse uma porta que se abrisse a todos aqueles a quem a casa da felicidade possa acolher.




“L`hiver a cessé: la lumière est tiède
Et danse, du sol au firmament claire.
Il faut que le cœur le plus triste cède
A l`immense joie éparse dans l`air. »

Paul Verlaine


“A conversa com um amigo, a descoberta de um livro, uma gravura, uma visita a um museu, o contacto com a música podem significar momentos de grande apaziguamento, de grande serenidade, de grande enriquecimento interior. É nisso que consiste a felicidade, quando há uma coincidência entre aquilo que nós somos e o Mundo em que estamos.”
Mário Claudio


“Happiness comes from the capacity to feel deeply, to enjoy simply, to think freely, to risk life and to be needed."
S. Jameson





“Tenho uma missão, embora pequena: Ajudar outros que, como eu, andam à procura, quanto mais não seja pelo facto de lhes garantir que não estão sós.”

Herman Hesse

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