Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

O caminho da gratidão

 

       "Devo agradecer aos deuses terem-me dado bons antepassados, um bom pai, uma boa mãe, uma boa irmã, bons preceptores, bons amigos, tudo o que se pode desejar de bom."

                                                                                                                                         Marco Aurélio

 

      A surpresa de uma nova dádiva aguarda-nos a cada passo do nosso caminho dando-nos sempre a oportunidade de ser felizes.

      Quando sentimos gratidão reconhecemos o bem que devemos aos outros, apreciamos aquilo que nos foi dado e alegramo-nos com isso. Experimentamos uma "energia calma" e ficamos mais próximos, pela partilha, dos que nos rodeiam.

      Ao reconhecermos o bem que devemos aos outros estamos a direccionar-nos para o exterior e rompemos o laço egoísta entre "nós", as nossas "possessões" e "riquezas". Tal implica humildade. Implica também aceitação (de que somos receptores de um benefício) a qual, por sua vez, requer reflexão, responsabilidade, desprendimento. É esse, no fundo, o caminho da gratidão: Um caminho de consciencialização, humildade, reconhecimento, aceitação e maturidade.

      Um caminho que nos vai mostrando o que é realmente significativo e ajuda a desvalorizar o que é acessório e irrelevante. Um caminho de contemplação do belo milagre da vida.

 

                                       

 

Soube-me bem: Voltar a pintar.

Foi inspirador: Lembrar-me do dia de ontem e associá-lo a estas palavras de Graça Morais:

         

          "Ao longo de uma vida vamos ganhando um corpo, uma alma, coisas, palavras, imagens, sons. Quando visito um museu, assisto a um espectáculo, leio um bom livro, sinto-me uma herdeira rica. O meu território alarga-se e enriquece."

 

Agradeço: Toda a riqueza que herdei.

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publicado por descobrirafelicidade às 18:14
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11 comentários:
De Marta M a 26 de Agosto de 2009 às 21:21
Olá
Tem tanta razão..Ingratidão e a falta de reconhecimento, tem amargado alguns dos meus dias e percebo-a bem quando refere que "aceitar um benefício" é ser humilde e responsabilizar-se por ele.
Gosto desta ideia de responsabilizar-nos pelo que recebemos...Talvez assim exista algum reconhecimento e, uma vez, por outra, retribuição...
Ajuda a viver melhor, certamente.
De Nucha a 27 de Agosto de 2009 às 00:47
Que engraçado descobrir aqui a GRATIDÃO!!!!
Que tal também perceber o síndroma da ingratidão?
O livro do Rui Marques explica muito bem isso...e não podemos não perceber o que pode parecer uma contradição http://treschavenasdecha.blogs.sapo.pt/28421.html
e ainda neste post http://treschavenasdecha.blogs.sapo.pt/37001.html
Peço desculpa pela ousadia mas não pude ficar indiferente porque a gratidão é uma dádiva.
Abraço.
Nucha
De descobrirafelicidade a 27 de Agosto de 2009 às 11:30
Nucha
Obrigada pela sua "ousadia"! Não conheço o livro que citou e foi muito bom conhecer o o blog cujo endereço me envia. É muito bem vinda. Volte sempre!
De Nucha a 27 de Agosto de 2009 às 22:13
Descobrir a felicidade,
Só o nome nos conforta.
Voltarei com certeza.
Abraço grato.
Nucha
De descobrirafelicidade a 28 de Agosto de 2009 às 18:01
Nucha
É um conforto também tê-la por cá. Obrigada e por tudo o que tem partilhado.
De Marta M a 27 de Agosto de 2009 às 12:13
Nucha:
Tentei responder no teu blog, mas está a dar erro, por isso repito-o aqui:
Citando Rui Marques: ""quem quer servir o bem comum, deve ser totalmente imune à expectativa de gratidão da parte dos beneficiários".
Percebo bem o alcance desta tua citação (já li o Rui Marques e já vi os olhos genuínos que tem ;)..), e concordo. Como não?
Se o que fazemos apenas visasse o reconhecimento e a gratidão..Bem, então, já há muito nada faríamos por ninguém, porque o estímulo é, tantas vezes, inexistente!
Fazemos por amor, por consciencia, por reconhecimento da necessidade ou porque percebemos que alguém o tem que fazer e assumimos a tarefa.
Sou professora, todos os anos acolho os meus alunos, invisto o que de melhor tenho neles e depois..entrego-os ao universo...
O que me choca é a ingratidão que se reflecte nos olhos de alguém que nos olha como se não fossemos especiais para ela/ele...Como se tudo o que fizémos e fazemos, fosse... descartável.
Não tanto a falta de retribuição que me choca, é a falta de consideração...
Percebes?
Ando a tentar digerir isso.
Obrigada
Marta M
De Nucha a 27 de Agosto de 2009 às 22:35
Marta,
Claro que te vou responder por aqui neste universo blogosférico que vai enriquecendo as nossas vidas.
O Rui Marques (tive oportunidade de o conhecer com a Laurinda) é um homem inspirador no verdadeiro sentido da palavra. Ler o seu livro fez-me reflectir bastante uma vez que me dediquei ao voluntariado e ele tem muito conhecimento nesta área.
E, para além da ingratidão com que nos deparamos na vida do dia a dia, digo-te que é chocante o síndroma de ingratidão que ele explica tão bem nas pessoas a quem tentamos ajudar.
Cada dia que passa percebo que não passarei um patamar importante no voluntariado.
Não quero que me agradeçam, certo?
Eu apenas sou veiculo de ajuda...mas não aguento ver como as pessoas não agradecem e acham que temos sempre obrigações e que temos que dar tudo e resolver tudo como se culpados fossemos...
Viste a da fruta tocada????Se te derem fruta tocada agradeces e mesmo que não a comas fazes compota...Estas pessoas não!Querem fruta do maior calibre e nós não podemos dar a fruta que está tocada. Essa deve ser para nós...(Às vezes até se gera um estado de inveja que tenho alguma dificuldade em lidar!!!)
Fiz me entender?
Só ajudo nos cabazes mensais nas Missionárias da Caridade em Setúbal pontualmente e confesso que aqui me custa lidar com os conflitos que acabam por surgir.As Irmãs ajudam 120 famílias, isto para além do que é a principal razão daquela casa existir que são as crianças que têm a cargo e é aqui que desenvolvo trabalho...mas as famílias carenciadas acham sempre pouco o que elas dão e digo-vos que é muito!!!!
Do que o BA lhes dá elas repartem por estas famílias e o BA cada vez dá menos porque há muito a quem acudir.
Desculpem porque me alonguei mas este tema é-me sempre muito caro.
Abraço.
Nucha

De Marta M a 28 de Agosto de 2009 às 00:34
Olá Nucha :
Sentimo-nos tão bem acolhidas aqui na sala da Teresa que nos instalámos, não é? Giro.
Compreendo o que referes, como não?
Também estive ligada ao voluntariado, não tanto quando desejaria, por enquanto...Falarei sobre isto contigo em outra ocasião.
Mas a dificuldade de algumas pessoas assumirem as rédeas da sua vida, implica desvalorizar quem o faz (atribuindo qualquer sucesso à sorte e portanto motivo de inveja),como forma de justificar a sua incapacidade de mudar sua situação.
Tudo aquilo que vem fácil, não é valorizado pois não custou a ganhar nem a quem recebe, nem a quem dá, pensam eles...
Não percebem que tudo tem um custo e implica esforço para chegar às suas mãos. É por isso que a caridade sem consciencialização , sem responsabilixação,não costuma produzir muito mais do que pessoas mais frágeis e dependentes.
É uma evidência, mais ainda assim não podem ser desamparados . É investir na educação , única forma de mudar mentalidades de fundo.
Quanto a sentir ingratidão é um facto incontornável, por tudo o que fica dito. Mas acredito que, um coração esclarecido, entende isso - a ingratidão como fraqueza e pertença a um quadro a mudar , a contrariar, mas nunca a desanimar quem se ocupa de tornar este mundo um lugar mais habitável.
Há que continuar apesar de tudo. Alguém tem que o fazer!
Abraço grande.
Nota: Vou colocar este post no teu blog. Adoro estas partilhas - haja tempo para elas! ;)
De descobrirafelicidade a 28 de Agosto de 2009 às 17:59
Marta e Nucha
Boa esta sensação de acolhimento ao acolher-vos aqui em casa. Muito obrigada por toda esta partilha.
De descobrirafelicidade a 27 de Agosto de 2009 às 11:22
Que sensação boa esta de nos sabermos compreendidos. Obrigada Marta!
De facto, no caminho da gratidão deparam-se-nos muitos obstáculos (deles penso falar futuramente). É uma prática difícil, como diz Robert Emmons no seu livro "Obrigado" (livro de onde tenho retirado grande parte da informação relativa a esta temática). Requer um esforço constante para não cair na tendência de tomar as coisas como adquiridas e fazer-nos lembrar do quanto somos interdependentes.
Agora há que fazer uma distinção (como diz Robert Emmons) entre a "não gratidão" e a ingratidão. Esta última, de facto, magoa muito.
Mas acredito que aquilo que nos é oferecido pelo Universo supera, e muito, a ingratidão que se possa manifestar. Possibilita-nos mesmo, valorizar ainda mais as dádivas diárias.
Só para terminar quero dizer que lhe estou muito grata pelo feedback que me tem dado. Tem sido um elixir para continuar.

NOTA: Não lhe escrevi isto no comentário ao seu post de ontem porque o dia era da SUA Avó, mas lembrei-me muito da minha: A "presença presente" da minha infância, em particular, adolescência e idade adulta (também morreu perto dos 100 anos). Uma das pessoas mais puras e pacientes que já conheci. Alguém que eu amava profundamente e a quem nunca mostrei a minha gratidão. Creio mesmo, que fui ingrata. Nunca fui capaz de um gesto de ternura para com ela. E era só disso que ela precisava.
De Marta M a 27 de Agosto de 2009 às 12:10
Eu e que agradeço a si e ao Universo estes encontros improváveis que tanto andam a enriquecer a minha vida. Obrigada pelas palavras e pelas citações tão oportunas nesta fase da minha vida. Mesmo!
Abraço
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Eu e que agradeço a si e ao Universo estes encontros improváveis que tanto andam a enriquecer a minha vida. Obrigada pelas palavras e pelas citações tão oportunas nesta fase da minha vida. Mesmo! <BR>Abraço <BR class=incorrect name="incorrect" <a>MartaM</A>

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Descobrir a Felicidade

O tema da felicidade tem dominado os livros, estudos académicos e palestras dos últimos tempos. Inunda campos que vão desde a filosofia política, psicologia, sociologia e literatura até modelos económicos. Procura-se a “fórmula da felicidade” e a solução da “equação da felicidade”. As sociedades modernas parecem ter submergido ao “dever da felicidade”. Esta moda da felicidade em conjunto com a retórica dos livros de auto-ajuda e do pensamento positivo quase me afastou deste projecto que, paradoxalmente, teve o seu embrião justamente com ela: Construir um “portfolio da felicidade”. Muito do que li ajudou-me, de facto, a ter consciência da minha felicidade e a experimentar com maior frequência estados de profundo bem-estar. Partilhar aquelas que considero serem as fontes essenciais da felicidade tornou-se uma prioridade. Cada um é “feliz à sua maneira”, mas a “porta da felicidade abre para fora”, como nos diz Kierkegaard, e gostaria que a “minha” (resultado de tantas outras) fosse uma porta que se abrisse a todos aqueles a quem a casa da felicidade possa acolher.




“L`hiver a cessé: la lumière est tiède
Et danse, du sol au firmament claire.
Il faut que le cœur le plus triste cède
A l`immense joie éparse dans l`air. »

Paul Verlaine


“A conversa com um amigo, a descoberta de um livro, uma gravura, uma visita a um museu, o contacto com a música podem significar momentos de grande apaziguamento, de grande serenidade, de grande enriquecimento interior. É nisso que consiste a felicidade, quando há uma coincidência entre aquilo que nós somos e o Mundo em que estamos.”
Mário Claudio


“Happiness comes from the capacity to feel deeply, to enjoy simply, to think freely, to risk life and to be needed."
S. Jameson





“Tenho uma missão, embora pequena: Ajudar outros que, como eu, andam à procura, quanto mais não seja pelo facto de lhes garantir que não estão sós.”

Herman Hesse

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