Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

O refúgio da alma

              "A Arte é um refúgio onde o espírito voa."

                                 Gao Xingjiang

 

   No seu livro "L`art du bonheur" Christophe André diz-nos que a contemplação da tela de um mestre é, em si, uma experiência de felicidade. Foi o que senti hoje ao contemplar as telas de Gao Xingjiang no Museu de Arte Moderna em Sintra. A pintura de Gao Xingjiang vai além da técnica tradicional chinesa de xieyi ("pintura do sentimento" ou "escrita do espírito"), pois conduz-nos à reflexão e faz-nos pensar profundamente. Uma pintura que, em silêncio, nos habita.

    Gao Xingjiang é pintor, escritor e cineasta. Como se pode ler no catálogo da exposição "As profundidades e perspectivas dão vida a uma paisagem interior tão profunda que o observador se pode perder nela e, por sua vez, encontrar-se. Com Gao, a sobriedade da tinta-da-china eclode numa explosão de luz que desvenda as verdades que importam ao homem, mantendo-se, porém, o enigma inerente à arte."

   Sem dúvida que este pintor "consegue penetrar o nosso "eu" mais profundo, até ao ponto de nos interrogarmos se não terá habitado em nós desde sempre."

   Foi o refúgio onde voei.

 

Soube-me bem: A ida a Sintra.

Foi inspirador: Ver a exposição "Depois do dilúvio".

Agradeço: À blogosfera terapêutica.

publicado por descobrirafelicidade às 18:14
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1 comentário:
De Marta M a 26 de Agosto de 2009 às 02:23
Citando: "consegue penetrar o nosso "eu" mais profundo, até ao ponto de nos interrogarmos se não terá habitado em nós desde sempre."
Existem coisas e conclusões que já "moravam" em nós mesmo antes de as lermos, não é?
São verdades eternas, que primordialmente já "conhecíamos" e, ao lermos...Encaixam em nós como peça em falta.
Já senti isso algumas vezes e normalmente são verdades muito simples...
Giro, não?
Abraço
Marta M

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Descobrir a Felicidade

O tema da felicidade tem dominado os livros, estudos académicos e palestras dos últimos tempos. Inunda campos que vão desde a filosofia política, psicologia, sociologia e literatura até modelos económicos. Procura-se a “fórmula da felicidade” e a solução da “equação da felicidade”. As sociedades modernas parecem ter submergido ao “dever da felicidade”. Esta moda da felicidade em conjunto com a retórica dos livros de auto-ajuda e do pensamento positivo quase me afastou deste projecto que, paradoxalmente, teve o seu embrião justamente com ela: Construir um “portfolio da felicidade”. Muito do que li ajudou-me, de facto, a ter consciência da minha felicidade e a experimentar com maior frequência estados de profundo bem-estar. Partilhar aquelas que considero serem as fontes essenciais da felicidade tornou-se uma prioridade. Cada um é “feliz à sua maneira”, mas a “porta da felicidade abre para fora”, como nos diz Kierkegaard, e gostaria que a “minha” (resultado de tantas outras) fosse uma porta que se abrisse a todos aqueles a quem a casa da felicidade possa acolher.




“L`hiver a cessé: la lumière est tiède
Et danse, du sol au firmament claire.
Il faut que le cœur le plus triste cède
A l`immense joie éparse dans l`air. »

Paul Verlaine


“A conversa com um amigo, a descoberta de um livro, uma gravura, uma visita a um museu, o contacto com a música podem significar momentos de grande apaziguamento, de grande serenidade, de grande enriquecimento interior. É nisso que consiste a felicidade, quando há uma coincidência entre aquilo que nós somos e o Mundo em que estamos.”
Mário Claudio


“Happiness comes from the capacity to feel deeply, to enjoy simply, to think freely, to risk life and to be needed."
S. Jameson





“Tenho uma missão, embora pequena: Ajudar outros que, como eu, andam à procura, quanto mais não seja pelo facto de lhes garantir que não estão sós.”

Herman Hesse

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