Domingo, 28 de Fevereiro de 2010

Confiança

 

“A capacidade de confiar é própria do homem forte e seguro (…) Quanto mais alguém for verdadeiramente homem, tanto mais é capaz de confiar, porque intui os motivos adequados para “confiar nos outros”.

                                                                                                Luigi Giussani

 

“O grande desafio que uma visão optimista nos coloca é o de transmitir às crianças uma mensagem de alegria, esperança, confiança em si próprias e no futuro, sem escamotear que as dificuldades e preocupações fazem parte da vida!”

                                                                                                  Mª José Ribeiro

 

O optimismo é uma história de confiança: Em nós, nos outros e na vida.

Sabemos que, às vezes, por mais que nos esforcemos e empenhemos, as coisas não resultam como desejaríamos. É justamente aqui que o optimismo se revela: Voltamos a começar, perseveramos, damos a volta por cima das crises. No fundo, o optimismo é uma atitude de confiança na existência, associada à convicção de que em caso de problemas ou decepções, saberemos reagir.

 

“O optimismo não é uma alegria pateta e desenraizada, mas é realista e interveniente. Não se trata de procurar equilíbrios perfeitos, vidas sem erros ou recheadas de invencibilidades, mas sim de encontrar novas forças, outros olhares, mudanças de rumo, e construir transformações que nos trazem mais perto da verdadeira e saudável alegria – apesar, e a partir, dos insucessos e das dificuldades.”

 

Cabe-nos a nós, como educadores, transmitir a semente da esperança, entusiasmarmo-nos para entusiasmar, passar a mensagem de que crescer é bom e vale a pena confiar.

 

Soube-me bem: Olhar para a chuva cair através da janela, na minha cama, de manhãzinha. Sim, também estou um pouco cansada de tanto chover, mas houve uma coincidência entre aquilo que sentia e o mundo lá fora. Uma serena melancolia que me fez sentir uma "indecisa felicidade". E depois, subitamente, um rasgo de sol. Um raio de sol em mim que me despertou, decisivamente, para o dia.

 

              Agradeço: O prémio com que a minha amiga Joana gentilmente me mimou caminhoparaaliberdade.blogs.sapo.pt/39908.html

O email que recebi com o vídeo que inspirou este post.

 

PROPONHO PARA REFLEXÃO em família: 

* o que mais gostam na vossa família?
* o que mais gostam em cada um dos elementos da vossa família?
* o que cada um de vós acha que dá de bom à vossa família?

* que sonhos têm para a vossa família?
* que encontraria, na vossa família, um detective que procurasse descobrir pontos fortes e positivos?

 

Fonte: “Educar para o Optimismo”
Helena Águeda Marujo, Luís Miguel Neto, Maria de Fátima Perloiro

 

 

 

 

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Domingo, 21 de Fevereiro de 2010

Método de benevolência

“Um homem benevolente ajuda os outros a alcançarem o que desejam com o mesmo empenho com que o faz para si próprio, e leva-os tão longe quanto ele próprio. A capacidade de tomar, como analogia, aquilo que está ao nosso alcance pode ser chamada de método de benevolência.”                                                                       Confúcio

               

“O ren é amar os outros.” Ren é uma das grandes ideias de Confúcio ilustrativa da sua concepção humanista do homem; é a atitude de despojamento do ser humano que vence o seu egocentrismo e coloca em primeiro plano a justiça e felicidade de todos.

Se desejamos crescer, elevar-nos, deveremos pensar simultaneamente em como ajudar os outros a crescer também. Só podemos crescer numa interligação com o outro, numa interpenetração de afectos, numa relação de reciprocidade.

 

Yu Dan ilustra esta concepção com a versão de uma história sobre “um rei que passava cada um dos seus dias a reflectir sobre três questões fundamentais: Quem é a pessoa mais importante do mundo? Qual é a coisa mais importante? Quando é o momento mais importante para se agir?

                O rei colocou estas questões à sua corte e aos seus ministros, mas ninguém conseguiu dar-lhe uma resposta.

                Então, o rei saiu vestido como um homem comum e dirigiu-se a um lugar remoto onde encontrou abrigo para passar a noite na casa de um velho.

                A meio da noite, acordou sobressaltado com um barulho que vinha da rua e viu um homem coberto de sangue entrar a correr na casa do velho.

                Este homem disse: “Vêm homens atrás de mim para me prender!” O velho respondeu: “Nesse caso abriga-te aqui durante um bocado” e foi arranjar-lhe um sítio para ele se esconder.

                O rei sentia-se demasiado assustado para conseguir dormir e, pouco tempo depois, viu aparecerem alguns soldados a correr na peugada do fugitivo. Os soldados perguntaram ao velho se ele tinha visto alguém passar por ali. O velho respondeu-lhes que não sabia de nada.

                Os soldados foram-se embora. O homem que se tinha escondido proferiu algumas palavras de gratidão e foi-se embora. O velho fechou a porta e voltou para a cama.

No dia seguinte, o rei perguntou ao velho: “Porque não receou trazer aquele homem para dentro de casa? Não teve medo de se estar a meter em sarilhos? Podia ter-lhe custado a própria vida! E depois deixou-o ir assim, sem mais nem menos. Porque não lhe perguntou quem era?”

                O velho respondeu calmamente: “Neste mundo, a pessoa mais importante é aquela que se encontra diante de nós e que está a precisar da nossa ajuda; a coisa mais importante é ajudar quem precisa e o momento mais importante é este preciso instante, não podemos atrasar a ajuda, nem por um instante que seja.”

               

             Soube-me bem: Ver as pinturas de Gao Xingjiang neste vídeo:

              Agradeço: O mimo que recebi na sexta-feira de uma amiga querida e que deu alento ao meu dia.

     PROPONHO PARA REFLEXÃO:

    O que leva de positivo àqueles que lhe são próximos?

    O que o/a faz sentir vivo/a?

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O que é que não fizemos?

“Às vezes, assalta-nos esta interrogação: O que é que não fizemos? Dito por outras palavras, periodicamente reavaliamos as nossas vidas, com o sentimento de que há alguma coisa que nos falta, que nos escapa. Pouco importa a idade que temos, velhos ou novos, cada um se pergunta a si próprio: Não haverá nada melhor? Algo como uma segunda oportunidade? Eis algumas das questões tratadas de forma simples, mas profunda pelo realizador asiático, Edward Yang, no filme Yi Yi."”

 

As palavras acima foram transcritas de um trabalho feito pela minha amiga  Lúcia que escolheu o filme YI-Yi como seu objecto de reflexão. Este título traduzido literalmente significa “Um Um”: Cada um tem de fazer o seu percurso individualmente. Um filme que, para mim, adquiriu um encanto especial depois de vê-lo sob um outro olhar, um olhar que o tornou mais rico e me enriqueceu.

 

 

 

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Pourquoi tu es vivant?

 

“Após anos e anos de assistência a pessoas que vivem os seus últimos momentos, não sei muito mais sobre a morte em si mesma, mas a minha confiança na vida não tem senão aumentado. Vivo, sem dúvida, mais intensamente, com uma consciência mais aguda, aquilo que me é dado viver, alegrias e tristezas, mas também todas essas pequenas coisas quotidianas, que são óbvias, tal como o simples andar ou respirar.

Talvez me tenha tornado mais atenta aos que me rodeiam, consciente de que não os terei sempre ao meu lado, desejosa de os descobrir e de contribuir, tanto quanto puder, para que eles venham a ser aquilo para que são chamados.

(…) E muitos moribundos, no instante de deixarem a vida, nos têm lançado esta mensagem pungente: Não passem ao largo da vida, não passem ao largo do amor.”

                                                                                                                                    Marie de Hennezel

 

 

 

« Pourquoi tu es vivante? Pour avoir envie de tout. Il faut mourir  vivant, il faut gouter à tout ! »

"Elle m`a dit d`apprendre à être contente".

 

Palavras pronunciadas no bonito filme "Ponette" de Jacques Doillon em que a criança Ponette tem de lidar com a morte da mãe.

 

 

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Domingo, 14 de Fevereiro de 2010

Duas histórias

Ao folhear cadernos antigos voltei a reler duas histórias dos meus filhos, quando tinham oito anos, que têm um grande significado para mim. “A menina perdida” foi escrita pelo Tiago para a escola. “A estrela no coração” ouvi o Afonso contar à filha de uma amiga minha, num dia em que saímos para jantar fora e ela, com três anos na altura, fazia uma grande birra para comer.

 

A menina perdida

 

Era uma vez uma menina que tinha ido passear quando se perdeu e ficou muito triste porque não sabia ir para casa, mas apareceu a neve e a neve disse: porque estás a chorar menina? Porque não encontro a minha casa. Então eu sei quem te pode ajudar. A menina ficou muito contente e assim a neve disse que a chuva a podia ajudar e assim ela foi procurar a chuva. Quando encontrou a chuva disse: tu sabes onde está a minha casa? E a chuva disse: Não, mas os pássaros devem saber. Obrigada! E ela foi à procura dos pássaros e encontrou um e disse: tu sabes onde está a minha casa? E o pássaro disse: Sim a tua casa está ali à frente. Obrigada. E foi assim que ela encontrou a casa e ficou contente.

 

 

A estrela do coração

 

Todas as noites a tua mãe, quando tu estás a dormir, transforma-se na estrela do coração. A estrela do coração entra sempre no corpo dos filhos. Como ela é tua mãe, é muito especial para ti. Quando é dia e ela já não é estrela do coração, mesmo que tu te portes mal, como já tinha estado no teu corpo, ela sabe que por dentro tu te portas bem.

 

Soube-me bem: Voltar a esta casa

Agradeço: Novamente aqui (e sempre no coração) a Mãe que tive e os filhos que tenho.

 

PROPONHO PARA REFLEXÃO:

  • Qual a sua primeira memória?
  • O que gostaria de transmitir/ter transmitido aos seus filhos?

 

 

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Primeira(s) memórias de infância

Do colo da minha Mãe; das formigas que encheram as minhas sandálias num passeio que fiz com os meus Pais; da semi-luz ao fundo do corredor, à noite, quando estava deitada; do conforto, da luz da minha Mãe…

 

                Frequentemente (mas nem sempre) a essência da infância e consequentemente a essência da sua visão do mundo é recolhida da “primeira memória” (…)

                Não é de admirar, portanto, que o sabor destas memórias iniciais seja frequentemente o mesmo que o dos sentimentos mais profundos da pessoa sobre a natureza da existência.”

                                                                                            Scott Peck

 

                Quando pensei em qual seria a minha primeira memória, achei que era realmente muito difícil recordar-me dela, até porque não sei até que ponto, o que tenho, são memórias reais ou associadas a fotografias da minha infância. Mas não! Tenho mesmo uma “1ª memória” que é a minha Mãe. E a minha Mãe simboliza tudo o que há de bom no mundo. Talvez por isso, a minha visão da existência também continue a ser a de um lugar de acolhimento.

 

        

                   Se fosse viva, a minha Mãe faria hoje 82 anos.

 

“A casa está cheia de ti

Não apenas os retratos os recantos

Os quadros

Não apenas os objectos onde

Roça ao de leve

A suave mão da tua ausência.

Mas aquela luz que trazias dentro

E deixavas de passagem

Nos seres e nas coisas.

 

Talvez agora mores entre as estrelas

Mas brilhas

Intensamente brilhas dentro de casa.”

                                             Manuel Alegre

 

 

 

       

 

 

 

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(re) Começar

“A única alegria neste mundo é começar. É belo viver, porque viver é começar, sempre, a cada instante.”

 

 

 

Calvin: Uáu, fartou-se de nevar a noite passada! Não é uma maravilha?

Hobbes: Tudo o que nos era familiar desapareceu! O mundo parece novinho em folha!

Calvin: Um novo ano... Começa a partir do zero!

Hobbes: É como ter uma grande folha em branco de papel para desenhar!

Calvin: Um dia cheio de possibilidades!

Calvin: É um mundo mágico, Hobbes, Amigo...

Calvin: ... Vamos explorá-lo.

 

O novo ano chinês começa hoje, sob o signo do Tigre. É um dia de muita alegria para os chineses de todo o mundo que relacionam cada novo ano a um dos doze animais que teriam atendido ao chamado de Buda para uma reunião.

E… é um pouco como o Calvin que me sinto hoje: Um novo dia a (re)Começar. Um mundo mágico cheio de possibilidades… Um novo ano que, a todos desejo, seja pleno de paz, alegria e prosperidade.

 

 

 

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Descobrir a Felicidade

O tema da felicidade tem dominado os livros, estudos académicos e palestras dos últimos tempos. Inunda campos que vão desde a filosofia política, psicologia, sociologia e literatura até modelos económicos. Procura-se a “fórmula da felicidade” e a solução da “equação da felicidade”. As sociedades modernas parecem ter submergido ao “dever da felicidade”. Esta moda da felicidade em conjunto com a retórica dos livros de auto-ajuda e do pensamento positivo quase me afastou deste projecto que, paradoxalmente, teve o seu embrião justamente com ela: Construir um “portfolio da felicidade”. Muito do que li ajudou-me, de facto, a ter consciência da minha felicidade e a experimentar com maior frequência estados de profundo bem-estar. Partilhar aquelas que considero serem as fontes essenciais da felicidade tornou-se uma prioridade. Cada um é “feliz à sua maneira”, mas a “porta da felicidade abre para fora”, como nos diz Kierkegaard, e gostaria que a “minha” (resultado de tantas outras) fosse uma porta que se abrisse a todos aqueles a quem a casa da felicidade possa acolher.




“L`hiver a cessé: la lumière est tiède
Et danse, du sol au firmament claire.
Il faut que le cœur le plus triste cède
A l`immense joie éparse dans l`air. »

Paul Verlaine


“A conversa com um amigo, a descoberta de um livro, uma gravura, uma visita a um museu, o contacto com a música podem significar momentos de grande apaziguamento, de grande serenidade, de grande enriquecimento interior. É nisso que consiste a felicidade, quando há uma coincidência entre aquilo que nós somos e o Mundo em que estamos.”
Mário Claudio


“Happiness comes from the capacity to feel deeply, to enjoy simply, to think freely, to risk life and to be needed."
S. Jameson





“Tenho uma missão, embora pequena: Ajudar outros que, como eu, andam à procura, quanto mais não seja pelo facto de lhes garantir que não estão sós.”

Herman Hesse

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