Domingo, 18 de Abril de 2010

Encontrar o nosso "apelo interno"

“Assim que uma pessoa investe toda a sua energia psíquica numa interacção – seja com outra pessoa, um barco, uma montanha ou uma música – ela faz parte de um sistema de acção que ultrapassa as fronteiras do seu ser.”

Mihaly Csikszentmihalyi

 

Encontrar o nosso “apelo” (“calling”) interno é, segundo M. Csikszentmihalyi, um dos factores determinantes do nosso bem-estar. Quando o encontramos, entramos em sintonia connosco próprios e “fluímos” criativamente. É justamente ao estado de imersão total numa tarefa desafiadora que M. Csikszentmihalyi denomina “fluxo” (“experiência óptima”) o qual acontece, por exemplo, quando esquiamos, nadamos, conversamos com amigos, cantamos num coro, dançamos, pintamos, escrevemos… No fluxo, a alienação dá lugar ao envolvimento, o encantamento substitui o aborrecimento, o sentimento de resignação é substituído pelo de controle.

As suas chaves são: Existência de um desafio claro que concentra completamente a nossa atenção; termos capacidade para responder a esse desafio e recebermos um feedback imediato em relação à maneira como estamos a sair-nos em cada passo da nossa actividade (recebemos um sentimento positivo depois de cada nota correctamente cantada, de cada pincelada dada).

Assim, quando escolhemos algo em que nos investimos na medida das nossas capacidades e da nossa concentração, algo que nos desafia e nos envolve, damo-nos a possibilidade de viver experiências verdadeiramente gratificantes.

Qualquer um de nós, seja qual for o seu talento, pode subir mais alto. A alegria de mergulhar na vida é acessível a todos.

 

Soube-me bem: Recordar Georges Moustaki

 

Agradeço: O “eterno presente” da música.


“Tudo coexiste numa relação infinita de causa e efeito. Na música passa-se exactamente o mesmo. Talvez com mais intensidade ainda. Porque a música é um entrelaçar de sons que nos remete directamente para a origem do mundo (…) A música provém da aurora do mundo. Ao mesmo tempo é um eterno presente (…) Passado, presente e futuro encontram-se nela, numa clara forma de eternidade.”

Seiji Ozawa

PROPONHO PARA REFLEXÃO

O que o/a faz fluir? Conhece bem as suas potencialidades? Se as conhecer e fizer uma lista de actividades em que lhes seja dado uso (ajudar amigos, dançar, escrever, ouvir, cozinhar) poderá tomar uma maior consciência daquilo que lhe proporciona bem-estar e, por conseguinte, aumentar a sua gratificação diária com a vida.

publicado por descobrirafelicidade às 00:04
link do post | comentar | favorito
|
8 comentários:
De uerba a 19 de Abril de 2010 às 01:18
Não imagina como me identifiquei com o seu post . É desse envolvimento que sinto falta. A plena sensação de bem-estar.

Como sempre, agradeço-lhe pela iluminação.
De descobrirafelicidade a 21 de Abril de 2010 às 10:38
Olá Rúben
Fiquei muito contente por me dizeres que te tinhas identificado com este post, mas surpreendida por falares na falta que te faz um envolvimento maior: É que acho que tens tanto potencial e que "fluis" quando falas nos teus musicais, nos filmes, quando desenhas... Olha, eu fluí ao som do Leonard Cohen (deste teu último post) e da Joni Michell. Mas pensando bem talvez te entenda, sim. Fluímos em determinados momentos, mas sentimos falta de algo "maior que nós", uma espécie de plenitude. Tenho a certeza que a vais encontrar. Um abraço

Nota: Muito bom o teu exercício de desenho - nada banal, como dizes.
De Caminhando... a 19 de Abril de 2010 às 22:54
Olá Teresa!

Ao "ouvi-lo" temos como que uma sensação de pertença. E é isso que nos motiva a avançar, pois como dizes: "a alegria de mergulhar na vida é acessível a todos."
Um beijo grande e boa noite
De descobrirafelicidade a 21 de Abril de 2010 às 10:43
Joana
É verdadeiramente essa sensação de pertença que nos motiva a avançar. Este blogue é sobre o que nos pode levar à felicidade, mas às vezes falamos de coisas que precisamos aprender. Beijos e bom resto de semana
De Existe um Olhar a 21 de Abril de 2010 às 12:41
Olá Teresa
Tem sido minha preocupação de vida encontrar o que me deixa em completa harmonia com o Universo, o que me permite descobrir o meu verdadeiro "EU" podendo desta forma desenvolver capacidades e bem estar.
Os desafios a que me proponho são uma mola que me catapulta para a sensação de harmonia comigo própria e com os outros. Se eu conseguir que a minha alegria transpareça num grupo de amigos, imediatamente recebo sorrisos.
Adoro dançar, pintar, conversar, ouvir, meditar e mergulhar na vida com coragem, fé e acreditando nas sábias palavras que deixaste aqui, ou seja o feedback sentir-se-á...se emanar positivo receberei positivo.
Obrigada pela reflexão que fiz ao ler as suas palavras.
Sempre desafiante estes seus posts.

Beijos
Manu
De descobrirafelicidade a 21 de Abril de 2010 às 18:24
E... só daquilo que tenho lido de ti dá bem para sentir o quanto mergulhas na vida, o quanto estás em harmonia. Eu é que agradeço as tuas palavras e o teu sorriso, o sorriso que nelas vejo. Obrigada Manu!
De Marta M a 21 de Abril de 2010 às 22:49
Teresa:
Apetece-me começar a minha reflexão por aqui citando-te:
" encantamento substitui o aborrecimento" , porque esta é uma meta minha nas aulas...Quando sinto que consegui "contagiar" os meus alunos...flutuo e sinto que estou onde devo estar e que o Universo inteiro conspira a meu favor" (Paulo Coelho).
Quando damos o melhor que temos ou colocamos o melhor de nós em algo, somos mesmo "tomados" pela circunstância e vamos mais longe do que alguma vez pensámos ir...
Compreendo tão bem o que descreves, encaixa!
Tens alguma fórmula para contagiar jovens irreverentes e teimosos também? ;)
Abraço enorme.
Marta M
De descobrirafelicidade a 22 de Abril de 2010 às 17:49
Por tudo o que te leio imaginei que sentisses esse fluxo com os teus alunos, esses momentos plenos de envolvimento. Um privilégio Marta poderes fazer na vida profissional aquilo que te encanta (quem me dera poder dizer o mesmo). E... quanto aos jovens irreverentes eles acabarão por, mais cedo ou mais tarde, ser contagiados pela energia do teu amor. Beijos e bom restinho de semana

Comentar post

mais sobre mim

pesquisar

 

Maio 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
17
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

posts recentes

Portfolio da felicidade

Amizade, respeito e liber...

Magnolia

Recursos emocionais renov...

Três lições do Tao

A bagagem da outra pessoa

Nostalgia

Encontrar o nosso "apelo ...

Coerência interna

Autonomia interior

arquivos

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Descobrir a Felicidade

O tema da felicidade tem dominado os livros, estudos académicos e palestras dos últimos tempos. Inunda campos que vão desde a filosofia política, psicologia, sociologia e literatura até modelos económicos. Procura-se a “fórmula da felicidade” e a solução da “equação da felicidade”. As sociedades modernas parecem ter submergido ao “dever da felicidade”. Esta moda da felicidade em conjunto com a retórica dos livros de auto-ajuda e do pensamento positivo quase me afastou deste projecto que, paradoxalmente, teve o seu embrião justamente com ela: Construir um “portfolio da felicidade”. Muito do que li ajudou-me, de facto, a ter consciência da minha felicidade e a experimentar com maior frequência estados de profundo bem-estar. Partilhar aquelas que considero serem as fontes essenciais da felicidade tornou-se uma prioridade. Cada um é “feliz à sua maneira”, mas a “porta da felicidade abre para fora”, como nos diz Kierkegaard, e gostaria que a “minha” (resultado de tantas outras) fosse uma porta que se abrisse a todos aqueles a quem a casa da felicidade possa acolher.




“L`hiver a cessé: la lumière est tiède
Et danse, du sol au firmament claire.
Il faut que le cœur le plus triste cède
A l`immense joie éparse dans l`air. »

Paul Verlaine


“A conversa com um amigo, a descoberta de um livro, uma gravura, uma visita a um museu, o contacto com a música podem significar momentos de grande apaziguamento, de grande serenidade, de grande enriquecimento interior. É nisso que consiste a felicidade, quando há uma coincidência entre aquilo que nós somos e o Mundo em que estamos.”
Mário Claudio


“Happiness comes from the capacity to feel deeply, to enjoy simply, to think freely, to risk life and to be needed."
S. Jameson





“Tenho uma missão, embora pequena: Ajudar outros que, como eu, andam à procura, quanto mais não seja pelo facto de lhes garantir que não estão sós.”

Herman Hesse

tags

todas as tags