Domingo, 11 de Abril de 2010

Coerência interna

"Entre os gestos do mundo

Aceitei a dádiva das portas.

Vi-as na luz

Seladas, entreabertas

Virando as suas costas

Cor de raposa

Porque as fizemos

Se nos tornam prisioneiros?"

Gabriela Mistral

 

 

"A felicidade consegue-se quando o que pensamos, dizemos e o que fazemos está em harmonia." (Gandhi) - Chama-se a isto coerência.

 

Estar de acordo connosco próprios implica a capacidade de nos afirmarmos e agir conforme aquilo que pensamos ser justo, bom para nós e para os outros: Exprime esse sentimento de bem-estar que se consubstancia num actuar de acordo com os nossos valores pessoais, com as nossas convicções.

Não trair, não fugir às responsabilidades, ir ao encontro de alguém que está necessitado… Estes são alguns dos valores essenciais que nos ajudam a sentir integrados quando os respeitamos; valores morais que escolhemos, mais ou menos conscientemente, para sermos melhores seres humanos. Embora os ideais variem para cada um de nós, acabam por se basear na fidelidade, lealdade às nossas ideias, amizades e amores.

A coerência connosco implica saber dizer “não”, desvincular-se de projecções/ expectativas parentais e normas sociais, respeitar a singularidade, decepcionar às vezes, saber enfrentar riscos, procurar aquilo que se esconde atrás dos nossos medos e inibições, “sermos nós”.

Há que lembrar que viver esta coerência não significa, forçosamente, viver em harmonia permanente – a coerência interna é um movimento, não um estado. É aceitar a complexidade, às vezes desconfortável, da nossa humanidade, as nossas contradições internas. E ao deixar emergir os nossos valores essenciais, autorizando-nos a vivê-los sem medo de julgamentos, encontraremos uma alegria interior profunda: O bem-estar do nosso equilíbrio emocional, a felicidade de nos sentirmos bem na nossa pele.

Fonte: Psychologies, nº 295

 

Soube-me bem: Ouvir Norah Jones.



Agradeço: A minha autonomia interior.

 

PROPONHO PARA REFLEXÃO

 

A partir de uma lista de momentos da sua vida em que se sentiu bem interiormente tente encontrar um ou mais aspectos comuns (silêncio, contacto com amigos ou com a natureza…). Construa o seu “bilhete de identidade” interior, o qual o/a ajudará a actuar, no seu quotidiano, mais de acordo com as suas necessidades pessoais, com o seu ser profundo.

 


publicado por descobrirafelicidade às 10:42
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8 comentários:
De Marta M a 11 de Abril de 2010 às 22:02
Teresa:
Coerência é essencial.
A faltar, tudo perde consistência e autoridade moral e parental...
E como dizes é um exercício nunca terminado exigindo, essencialmente, uma atenção constante a nós.
Difícil e trabalhoso.
Mas altamente recompensador quando reconhecemos o respeito nos olhos do outro.
Concordo contigo ;)
Marta M
De descobrirafelicidade a 14 de Abril de 2010 às 11:44
Bem difícil Marta. Eu, por exemplo, só em doses homeopáticas fui conseguindo afirmar-me. Ainda hoje tenho tendência a fugir de tudo aquilo que possa considerar que vai criar um conflito e auto censuro-me muito. Uma aprendizagem permanente, mas altamente recompensadora, como dizes. Um abraço grande e bom resto de semana para ti.
De Cidália a 13 de Abril de 2010 às 00:25
Nunca tinha visto este teu quadro!
É muito antigo? certo? não reconheço este género nos últimos anos...
bjs
De descobrirafelicidade a 14 de Abril de 2010 às 11:50
Pois acho que não tinhas mesmo visto. É realmente bem antigo e foi o único rosto que pintei. Paradoxalmente, costumo dizer que é o meu retrato interior. Daí o ter colocado neste post, daí as "portas que nos tornam prisioneiras"...
É tão bom saber-te aqui comigo amiga minha! Obrigada por estares comigo. Beijos grandes e bom resto de semana!
De Existe um Olhar a 13 de Abril de 2010 às 12:08
BI-Manu
Nascer... cada dia para a vida e aceitá-la
Emitir... ondas positivas de carinho, compaixão, tolerância e amor ao próximo.
Validade...Para além dos meus limites, sem barreiras, sem preconceitos, com respeito e coerência.
Número...Tantas quantas as vezes que for preciso disponibizar-me e entregar-me.
Morada- No coração de todos os acharem que mereço compartilhar comigo, tristezas, alegrias, saberes e êxitos.

Beijos
Manu
De descobrirafelicidade a 14 de Abril de 2010 às 12:06
Que lindo BI Manu! Um arco íris de vida interior. Obrigada pela tua luz. Um abraço grande
De Caminhando... a 14 de Abril de 2010 às 17:03
E julgo ser esta coerência interior que nos dá paz para caminharmos de cabeça erguida e tranquila.
Havendo coerencia interior acredito ser mais facil haver uma relação mais harmoniosa com o outro.

Beiijinhos
De descobrirafelicidade a 17 de Abril de 2010 às 12:49
Joana
Dá-nos mesmo "paz para caminharmos de cabeça erguida e tranquila." E mesmo que às vezes possamos decepcionar quem não está à espera de algumas das nossas contradições interiores, acabamos, como dizes, por nos relacionar mais em harmonia com o outro, pois estamos em harmonia connosco próprios. Um beijo grande de bom fim de semana!

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Descobrir a Felicidade

O tema da felicidade tem dominado os livros, estudos académicos e palestras dos últimos tempos. Inunda campos que vão desde a filosofia política, psicologia, sociologia e literatura até modelos económicos. Procura-se a “fórmula da felicidade” e a solução da “equação da felicidade”. As sociedades modernas parecem ter submergido ao “dever da felicidade”. Esta moda da felicidade em conjunto com a retórica dos livros de auto-ajuda e do pensamento positivo quase me afastou deste projecto que, paradoxalmente, teve o seu embrião justamente com ela: Construir um “portfolio da felicidade”. Muito do que li ajudou-me, de facto, a ter consciência da minha felicidade e a experimentar com maior frequência estados de profundo bem-estar. Partilhar aquelas que considero serem as fontes essenciais da felicidade tornou-se uma prioridade. Cada um é “feliz à sua maneira”, mas a “porta da felicidade abre para fora”, como nos diz Kierkegaard, e gostaria que a “minha” (resultado de tantas outras) fosse uma porta que se abrisse a todos aqueles a quem a casa da felicidade possa acolher.




“L`hiver a cessé: la lumière est tiède
Et danse, du sol au firmament claire.
Il faut que le cœur le plus triste cède
A l`immense joie éparse dans l`air. »

Paul Verlaine


“A conversa com um amigo, a descoberta de um livro, uma gravura, uma visita a um museu, o contacto com a música podem significar momentos de grande apaziguamento, de grande serenidade, de grande enriquecimento interior. É nisso que consiste a felicidade, quando há uma coincidência entre aquilo que nós somos e o Mundo em que estamos.”
Mário Claudio


“Happiness comes from the capacity to feel deeply, to enjoy simply, to think freely, to risk life and to be needed."
S. Jameson





“Tenho uma missão, embora pequena: Ajudar outros que, como eu, andam à procura, quanto mais não seja pelo facto de lhes garantir que não estão sós.”

Herman Hesse

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