Domingo, 4 de Abril de 2010

Referências

“Ser ou não ser não é uma questão de compromisso. Ou se é, ou não se é.”

Golda Meir

 

Golda Meir era uma das referências do meu Pai. Tal como ela, não deixou de fumar os seus 60 cigarros diários – o que lhe custou a morte por cancro do pulmão aos 64 anos-, substituiu muitas refeições por chávenas de café, trabalhou (durante a sua vida activa) uma média de 12 a 18 horas diárias. Admirava-lhe a sua tenacidade, firmeza, fidelidade, solidariedade prestada na defesa, contra tudo e contra todos, do seu então ministro da Defesa Moshe Dyan, a quem sempre elogiara a lealdade e coragem.

A verticalidade do meu Pai, a sua correcção, a sua honestidade, foi o meu alicerce num mundo em que, cada vez mais, exemplos como o dele escasseiam. A minha certeza de que existem pessoas íntegras. A minha segurança também.

Precisamos de boas referências de luta contra a adversidade, de entusiasmo, de resistência e vontade. São elas que nos levam a acreditar que sim, é possível!

 

Soube-me bem: Sentir a intemporalidade, ouvir Joni Mitchell aqui

 

Ver Polina Semionova

 

 

 

Agradeço: A integridade do meu Pai.

 

Esta era a tela de que o meu pai mais gostava

 

 

PROPONHO PARA REFLEXÃO

  • Quais as pessoas que admira particularmente, que o/a inspiram? Nota semelhanças nos seus destinos? Qual a trajectória que se torna mais visível nos seus percursos?
  • As suas referências são-no pelo que dizem, escrevem, ou pelo que fazem e vivem?
  • Relembre algumas histórias de sucesso que o/a tenham marcado e pense no que as fez ficarem na história – sua, ou do mundo

DESEJO A TODOS OS QUE POR AQUI PASSAM UM FELIZ DOMINGO DE PÁSCOA!

publicado por descobrirafelicidade às 00:03
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16 comentários:
De solnocoracao a 4 de Abril de 2010 às 00:40
Querida Teresa!
Como a percebo: Mãe, Avô, Pai, Tios, Padre José Manuel Pereira de Almeida...
Saudades e uma enorme gratidão por tudo o que me ensinaram, me deram, e por tudo o que são sempre para mim!
Santa Páscoa a todos!
De descobrirafelicidade a 5 de Abril de 2010 às 22:43
E que bom ter todas essas referências Teresinha! São luzes que iluminarão sempre o seu caminho. Abraço grande de boa noite.
De solnocoracao a 5 de Abril de 2010 às 23:11
Via lactea de estrelas que iluminam o nosso caminho...
De Existe um Olhar a 4 de Abril de 2010 às 21:38
Olá Teresa
Como sempre os seus posts deixam-me a pensar em coisas que não me lembrava e que apesar de tudo, foram marcantes de tal modo que, sou o que sou porque muitas pessoas passaram por mim e deixaram marcas de tal forma fortes que definiram o meu percurso e me levaram a perseguir sonhos e a atingir metas.
Tal como tu, o meu pai foi das pessoas com quem mais aprendi, apesar de não concordar com certos comportamentos, ele foi o exemplo máximo da tenacidade, da coragem e da capacidade de luta, posso dizer que ele foi o principal alicerce na minha formação. Para além dele houve uma série de circunstâncias que contribuiram para que hoje eu seja uma pessoa que nunca se acomodou, que sempre quis ir mais além, que não teve medo de transgredir e de ir contra o que é socialmente correcto.
Aprendi a não me guiar pelo que se diz, mas pelas boas práticas e pelos bons exemplos.
Nem sempre foi fácil o meu caminho, mas considero-me uma vencedora. A maior parte dos meus sonhos concretizaram-se, inovei, semeei, cumpri e ousei.
Não tenho tudo o que quero, mas QUERO tudo o que faço.
Seria muita pretensão da minha parte deixar aqui algo do que consegui, de coisas que me fazem feliz, apenas uma e a mais importante...o meu filho, o meu melhor amigo, um rapaz equilibrado que me ouve, que me conforta e dá força para que nunca desista dos meus sonhos

Muito obrigada por me fazeres pensar.
Beijos
Manu
De descobrirafelicidade a 5 de Abril de 2010 às 23:16
Manu
Curioso teres falado no quanto aprendeste com o teu pai, no alicerce que foi na tua vida e simultaneamente nalgumas discordâncias existentes entre vocês. É que a minha relação com o meu pai nunca foi fácil. Ele era uma pessoa muito autoritária, um pouco egocêntrica que abafava tudo ao seu redor. Estas características foram-se atenuando com a idade, mas havia sido criado um distanciamento entre nós que já não se diluiu (mesmo com todas as tentativas posteriores de aproximação). Durante muito tempo, estas características sobrepuseram-se, na minha cabeça, às suas grandes qualidades. E acho que até tenho ferido amigos seus quando me refiro unicamente à minha Mãe (com quem tive uma relação de uma enorme proximidade e que foi/é, para mim, a pessoa mais bonita deste mundo) como pilar da minha vida. Fazendo um exame de consciência, só mais tarde, vi o quanto foi importante, na minha aprendizagem, o meu pai. Nunca fui de ter ídolos nem heróis, mas de uma forma consciente ou não, o meu pai foi, sem dúvida, a minha grande referência, a personificação dos valores que referi e que considero a base de qualquer relacionamento. Um legado que não tem preço e que gostaria de transmitir aos meus filhos. Vejo que aquilo que te foi transmitido, o quanto o teu pai contribuiu para a tua formação, é também parte do teu legado que está a ser passado ao teu filho. É bom pensar contigo Manu. Muito gratificante mesmo. Um abraço de boa noite.
De Nucha a 5 de Abril de 2010 às 18:18
Teresa,
Se há componentes importantes no carácter que eu muito admiro são elas a honestidade, a verticalidade, a correcção, a integridade!
O teu pai era um homem especial e, só pode, para ti ser referência.É bom porque nos tranquiliza e nos dá segurança, não é verdade?
Que giro também gostares de Joni Mitchell!
Abraço, atrasado, de Domingo de Páscoa!
Nucha
De descobrirafelicidade a 5 de Abril de 2010 às 23:24

Tranquiliza-nos mesmo Nucha. E a solidariedade, para mim, começa aqui: Na integridade, na coragem, na correcção. Por isso é que te admiro também. É um orgulho saber-te e ser-te amiga. Obrigada! Dorme bem.
De Nucha a 6 de Abril de 2010 às 20:43
Teresa,
As pessoas que nos "interessam" ou que se "interessam" por nós têm a capacidade de nos trilhar caminho. É aí que tudo reside!
Obrigada por este orgulho que é reciproco!
Bj,
Nucha
De Marta M a 5 de Abril de 2010 às 22:14
Teresa:
Também amas ballet? Tem o poder de me encantar...
Obrigada pelo vídeo tão repousante e que nos resgata e " eleva" imediatamente, como um bom livro...
O teu pai, foi bom conhcê-lo e, melhor ainda , perceber de onde vem a tua força. É uma bênção , nem sempre acontece.
Ética e verticalidade são características fora de moda, eu sei. Mas são exactamente elas que nos fazem permanecer eternos e presentes mesmo depois de partirmos.
Por isso o teu pai permanece, porque teve uma vida plena...e recta.
Isso nunca passará de moda, nem deixará de marcar e deixar lastro.
Como dizia Camões: "Por obras valorosas , se vão da morte libertando..."
Ainda bem que assim é.
Abraço grande
Marta M
De descobrirafelicidade a 5 de Abril de 2010 às 23:36
Foi o que senti com este vídeo Marta: Elevação. E foi muito bom voar. Fico feliz por teres voado um pouquinho também.
Como dizes, ética e verticalidade parecem fora de moda. Vejo tanta covardia... E depois vem-me à memória o meu pai com quem, como disse à Manu, não tive uma relação fácil. Mas quando me lembro da sua rectidão volto a acreditar que existem pessoas íntegras e sempre existirão. Um privilégio este meu legado: Eterno e presente, como dizes. Obrigada pela tua presença e palavras que me preenchem. Abraço grande de boa noite.
De Cidália a 9 de Abril de 2010 às 00:50
Que bom termos pessoas que admiramos.
Na realidade fazem-nos mesmo falta.
Dificil o teu exercicio...
bj
(não me tinhas dito que tinhas voltado ao blog)
De descobrirafelicidade a 9 de Abril de 2010 às 16:18
E que bom ver-te aqui novamente. Já tinha saudades da tua companhia nesta casa.
Pois, não foi fácil este exercício, mas foi-me gratificante. Beijos grandes
De Marcolino a 10 de Abril de 2010 às 10:54
Olá, Teresa!

Como referencias, a ponto de pautar meu comportamento diário por elas, jamais as tive, porque meu falecido Pai nos ensinou a sermos nós mesmos, em tudo nas nossas vidas.

Quanto a olhar os valores mais destacados de cada um de nós, olho-os como dons de Deus, dados a cada um dos seus portadores.

Abraço
Marcolino
De descobrirafelicidade a 10 de Abril de 2010 às 11:53
Marcolino
Creio que a nossa vivência em sociedade implica necessariamente a existência de algumas referências. Como já disse acima, na resposta a um comentário, também nunca fui de ter heróis ou ídolos. No entanto, a construção da nossa personalidade terá de passar pela observação de outros comportamentos que poderão, ou não, indicar-nos trajectórias. Depois, sem dúvida, acabamos por nos afastar das nossas referências para nos tornarmos nós próprios. E que bom "sermos nós mesmos, em tudo nas nossas vidas"! E que bom podermos ter boas referências! Um abraço para si também
De Caminhando... a 14 de Abril de 2010 às 16:46
Olá Teresa!

Bom estar de volta, poder visitar-te e absorver tão bons textos!

De facto à medida que nos vamos desenvolvendo é extremamente enriquecedor e uma ajuda ter referencias.

Tenho a sorte de ter duas referencias: A minha Mae e o meu Avô. A minha Mãe pelas razoes que referi no mail que vos mandei e o meu Avô por me ter mostrado o amor paterno e um amor puro e amizade sempre presente. Nunca foi pessoa de abraços ou de grandes afectos, percebia-se pelo olhar o que ele sentia.
Reflectindo acerca do ultimo ponto do desafio que propões: Quando eu tinha os meus 7/8 aninhos, fui com o meu Avô falar com o advogado do meu caso e ele à saida de lagrimas nos olhos, olha para mim e dá-me um enorme abraço. Este gesto vindo de alguém nada afectuoso, foi a maneira de mostrar o amor que tinha por mim e senti-o como um "Tens-me sempre aqui!".
Tenho este momento guardado num espaço muito especial e é algo que me conforta ainda hoje.

Um grande beijinho
De descobrirafelicidade a 17 de Abril de 2010 às 12:39
Joana
Comoveste-me muito com o pedaço de ti que aqui deixaste. Já te tinha lido sobre o teu avô e as tuas palavras muito me haviam tocado, mas agora compreendo melhor esses laços que vos unem tão fortemente e o significado que ele tem na tua vida. E foi muito comovente a forma como aqui expressaste este amor que te protegerá sempre. Obrigada Joana por tudo o que és e me dás.

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Descobrir a Felicidade

O tema da felicidade tem dominado os livros, estudos académicos e palestras dos últimos tempos. Inunda campos que vão desde a filosofia política, psicologia, sociologia e literatura até modelos económicos. Procura-se a “fórmula da felicidade” e a solução da “equação da felicidade”. As sociedades modernas parecem ter submergido ao “dever da felicidade”. Esta moda da felicidade em conjunto com a retórica dos livros de auto-ajuda e do pensamento positivo quase me afastou deste projecto que, paradoxalmente, teve o seu embrião justamente com ela: Construir um “portfolio da felicidade”. Muito do que li ajudou-me, de facto, a ter consciência da minha felicidade e a experimentar com maior frequência estados de profundo bem-estar. Partilhar aquelas que considero serem as fontes essenciais da felicidade tornou-se uma prioridade. Cada um é “feliz à sua maneira”, mas a “porta da felicidade abre para fora”, como nos diz Kierkegaard, e gostaria que a “minha” (resultado de tantas outras) fosse uma porta que se abrisse a todos aqueles a quem a casa da felicidade possa acolher.




“L`hiver a cessé: la lumière est tiède
Et danse, du sol au firmament claire.
Il faut que le cœur le plus triste cède
A l`immense joie éparse dans l`air. »

Paul Verlaine


“A conversa com um amigo, a descoberta de um livro, uma gravura, uma visita a um museu, o contacto com a música podem significar momentos de grande apaziguamento, de grande serenidade, de grande enriquecimento interior. É nisso que consiste a felicidade, quando há uma coincidência entre aquilo que nós somos e o Mundo em que estamos.”
Mário Claudio


“Happiness comes from the capacity to feel deeply, to enjoy simply, to think freely, to risk life and to be needed."
S. Jameson





“Tenho uma missão, embora pequena: Ajudar outros que, como eu, andam à procura, quanto mais não seja pelo facto de lhes garantir que não estão sós.”

Herman Hesse

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