Domingo, 14 de Fevereiro de 2010

Primeira(s) memórias de infância

Do colo da minha Mãe; das formigas que encheram as minhas sandálias num passeio que fiz com os meus Pais; da semi-luz ao fundo do corredor, à noite, quando estava deitada; do conforto, da luz da minha Mãe…

 

                Frequentemente (mas nem sempre) a essência da infância e consequentemente a essência da sua visão do mundo é recolhida da “primeira memória” (…)

                Não é de admirar, portanto, que o sabor destas memórias iniciais seja frequentemente o mesmo que o dos sentimentos mais profundos da pessoa sobre a natureza da existência.”

                                                                                            Scott Peck

 

                Quando pensei em qual seria a minha primeira memória, achei que era realmente muito difícil recordar-me dela, até porque não sei até que ponto, o que tenho, são memórias reais ou associadas a fotografias da minha infância. Mas não! Tenho mesmo uma “1ª memória” que é a minha Mãe. E a minha Mãe simboliza tudo o que há de bom no mundo. Talvez por isso, a minha visão da existência também continue a ser a de um lugar de acolhimento.

 

        

                   Se fosse viva, a minha Mãe faria hoje 82 anos.

 

“A casa está cheia de ti

Não apenas os retratos os recantos

Os quadros

Não apenas os objectos onde

Roça ao de leve

A suave mão da tua ausência.

Mas aquela luz que trazias dentro

E deixavas de passagem

Nos seres e nas coisas.

 

Talvez agora mores entre as estrelas

Mas brilhas

Intensamente brilhas dentro de casa.”

                                             Manuel Alegre

 

 

 

       

 

 

 

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publicado por descobrirafelicidade às 18:58
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6 comentários:
De solnocoracao a 15 de Fevereiro de 2010 às 16:34
Obrigada pela partilha! Sinto tanto isto e é tão verdade! A sua Mãe habita já a eternidade e por isso celebramos sempre a sua vida!
Beijos muito especiais!
De Nucha a 15 de Fevereiro de 2010 às 16:55
Teresa,
Deixas-me a pensar na minha primeira memória...ups não sei se sei...ainda!
Foi bom teres partilhado aqui a tua mãe e esse poema.
Assim vais descobrindo a felicidade.
Que bom.
Abraço-te,
Nucha
De Caminhando... a 16 de Fevereiro de 2010 às 17:10
Antes de mais peço desculpa por só agora te deixar aqui o meu bjo, tendo em conta que quando publicaste este post julgo que te fazia falta um pouco de mimo.

É notorio o carinho e a estima que tens pela tua Mãe e igualmente a saudade que tens dela.
Que a mantenhas sempre assim no teu coração pois, te-lo-às sempre com um especial conforto.

Um beijo muito grande e deixa-me dizer-te de forma bastante sentida que: Gosto muito de ti e, é muito bom ter-te no meu coração.
De descobrirafelicidade a 16 de Fevereiro de 2010 às 22:32
Joana
Não tens que pedir desculpas nenhumas Joana: Esta não é a única casa que habitas. Felizmente há uma, para além desta, em que estás sempre presente. Quanto ao carinho que nutro pela minha Mãe tens razão, mas sabes ela deixou-me uma bagagem de mimo que me preenche e, apesar de sentir a sua ausência física sinto-a sempre presente em mim.
Também gosto muito de ti e abraço-te com ternura
De Marta M a 16 de Fevereiro de 2010 às 21:37
Teresa:
É bom ver por aqui a tua mãe...
É bom poder conhecê-la.
Posso imaginar as saudades que tens dela,
embora a tragas dentro de ti, eu sei amiga.
O teu sorriso está igual de fresco.
Bonito constatar.
Abraço grande
De descobrirafelicidade a 16 de Fevereiro de 2010 às 22:38
É como dizes Marta: Trago-a sempre em mim.
Obrigada pelo que falaste do sorriso: Fiquei toda envaidecida... Não vou esquecer. Beijo grande de boa noite

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Descobrir a Felicidade

O tema da felicidade tem dominado os livros, estudos académicos e palestras dos últimos tempos. Inunda campos que vão desde a filosofia política, psicologia, sociologia e literatura até modelos económicos. Procura-se a “fórmula da felicidade” e a solução da “equação da felicidade”. As sociedades modernas parecem ter submergido ao “dever da felicidade”. Esta moda da felicidade em conjunto com a retórica dos livros de auto-ajuda e do pensamento positivo quase me afastou deste projecto que, paradoxalmente, teve o seu embrião justamente com ela: Construir um “portfolio da felicidade”. Muito do que li ajudou-me, de facto, a ter consciência da minha felicidade e a experimentar com maior frequência estados de profundo bem-estar. Partilhar aquelas que considero serem as fontes essenciais da felicidade tornou-se uma prioridade. Cada um é “feliz à sua maneira”, mas a “porta da felicidade abre para fora”, como nos diz Kierkegaard, e gostaria que a “minha” (resultado de tantas outras) fosse uma porta que se abrisse a todos aqueles a quem a casa da felicidade possa acolher.




“L`hiver a cessé: la lumière est tiède
Et danse, du sol au firmament claire.
Il faut que le cœur le plus triste cède
A l`immense joie éparse dans l`air. »

Paul Verlaine


“A conversa com um amigo, a descoberta de um livro, uma gravura, uma visita a um museu, o contacto com a música podem significar momentos de grande apaziguamento, de grande serenidade, de grande enriquecimento interior. É nisso que consiste a felicidade, quando há uma coincidência entre aquilo que nós somos e o Mundo em que estamos.”
Mário Claudio


“Happiness comes from the capacity to feel deeply, to enjoy simply, to think freely, to risk life and to be needed."
S. Jameson





“Tenho uma missão, embora pequena: Ajudar outros que, como eu, andam à procura, quanto mais não seja pelo facto de lhes garantir que não estão sós.”

Herman Hesse

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