Terça-feira, 18 de Maio de 2010

Portfolio da felicidade

"Não há poder maior no mundo que o do tempo: Tudo sujeita, tudo muda, tudo acaba."

Padre António Vieira

 

Comecei este blogue há exactamente nove meses, numa terça-feira, dia 18. Tinha como objectivo abrir alguns caminhos que levassem à reflexão, consciencialização daquilo que nos traz bem-estar e enfim, poderá conduzir ao encontro da felicidade (esse conceito tão subjectivo, mas cuja essência todos desejam alcançar). Parti de alguns dos pilares que considero fundamentais: O envolvimento e ligação aos outros e a projectos de vida que façam sentido, a gratidão, a consciência da vivência do momento presente, a capacidade interior de lidar com circunstâncias exteriores,  a adaptação da acção ao contexto, a espiritualidade. Tentei mostrar que devemos aceitar todas as emoções, desde a tristeza à alegria, como naturais e necessárias e que devemos repensar o nosso estilo de vida promovendo um consumo mais responsável, orientando-o para a satisfação das verdadeiras necessidades humanas.

Desejo sinceramente que neste período de "gestação" possa ter contribuído para que NASÇA, naqueles que me leram, uma vontade de prosseguir este caminho individualmente. Desejo do fundo do coração que a casa da felicidade seja uma construção de cada um e a cada um acolha plenamente.

 

"A felicidade está no coração! E a cada um de lhe responder no segredo da sua vida."

Jean Guitton

 

Iniciei o blogue com a música acima e com ela o termino, noutra versão.

 

Agradeço tudo o que me deram, toda a alegria que me proporcionaram os que me acompanharam, os laços que ficaram, as amizades que se criaram.

 

MUITO OBRIGADA!

publicado por descobrirafelicidade às 18:59
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Domingo, 16 de Maio de 2010

Amizade, respeito e liberdade

“Creio que a amizade, como o amor do qual ela participa, exige quase tanta arte como uma figura de dança bem conseguida. É preciso muito entusiasmo e muita contenção, muitas trocas de palavras e muitos silêncios. E sobretudo, muito respeito – esse sentimento da liberdade dos outros, da dignidade dos outros, a aceitação sem ilusões, mas também sem a menor hostilidade ou o menor desprezo por um ser tal como ele é.”

Marguerite Yourcenar

 

A amizade que nos ilumina é a que compreende que o amigo é livre para fazer e ser. Por vezes, quando nos sentimos inseguros procuramos a segurança no exterior agarrando-nos à pessoa mais próxima como se de uma muleta se tratasse. Devemos lembrar-nos sempre que ninguém é nossa propriedade. Há relações que morrem por asfixia. O caminho da amizade é um caminho de respeito e liberdade.

Deixo uma história já bem conhecida, mas que gosto muito de relembrar.

 

“Certo dia, um rapaz de 13 anos passeava pela praia com a mãe. A dado momento, olhou para ela com insistência e perguntou:

- Mamã, o que poderei fazer para conservar um amigo que tive muita sorte em encontrar?

A mãe pensou durante alguns momentos, inclinou-se e recolheu um pouco de areia com as mãos. Com as palmas viradas para cima, apertou um punho com força. A areia escapou-se entre os dedos. E quanto mais apertava o punho, mais a areia escapava. A outra mão, pelo contrário permanecia bem aberta: Nela a areia que tinha apanhado mantinha-se intacta.

O rapaz observou maravilhado o exemplo que a mãe lhe dava, compreendendo que apenas com abertura e liberdade se pode manter uma amizade e que o facto de tentar retê-la ou encerrá-la significa perdê-la.”

 

Soube-me bem: Ver este vídeo

Ouvir e recordar Nina Simone

Agradeço: A liberdade da amizade.

 

PROPONHO PARA REFLEXÃO

 

Estas palavras de Francesco Alberoni:

Nenhuma forma de amor tem tanto respeito pela liberdade do outro como a amizade.Esta chega a pontos de extrema delicadeza. Por exemplo, se um amigo fez qualquer coisa por nós, qualquer coisa que tenha sido útil, ficar-lhe-emos reconhecidos, mas evitaremos perguntar-lhe porque o fez. O amigo não me deve dar explicações. É perfeitamente correcto que eu não as procure. Não devo analisar o seu comportamento, tentar encontrar as suas motivações. O acto do amigo deve manter-se, até ao mais profundo, um acto livre. Se eu procurar explicações, posso sempre encontrar uma razão, uma  justificação, um interesse. (…) O acto apenas é livre antes de ser completado. Até ao ultimo momento podemos faze-lo, ou não, e ninguém sabe aquilo que escolheremos. Por isso, não nos interroguemos sobre porque é que o amigo agiu assim. Porque nós queremos sempre considerá-lo livre, no acto criador de vida, quando tudo era possível, e ele livremente escolheu assim."

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Magnolia

"One is the loneliest number that you'll ever do/ Two can be as bad as one, it's the loneliest number since the number one"

Oh, for the sake of momentum

I've allowed my fears

to get larger than life

And it's brought me to my current agendum

Whereupon I deny fulfillment has yet to arrive

Magnolia é um filme recheado de simbolismos e grandes metáforas. Vi-o quando estreou há dez anos, num período marcante da minha vida. Simultaneamente com a sua banda sonora descobri Aimee Mann, pois foi a partir das suas músicas que o roteiro de Magnolia nasceu. Neste filme acompanhamos um único dia da vida de vários personagens, cujas histórias se interligam a todo instante. E todos eles sofrem, menos pelos erros, mas mais pela falta do dom de perdoar. Tenho este filme em DVD e revi-o ontem. Tive vontade de fazer um post sobre ele, mas pensei que não caberia neste blogue. Depois, pensei melhor e constatei que Magnolia não é um filme sobre pecados, como muitos o rotularam. É, ao contrário, um filme sobre perdão. E… A capacidade de perdoar é fundamental no caminho da felicidade. Não podemos ser felizes com sentimentos de ódio, vingança, ou rancor. Nem se trata de uma questão moral, mas do nosso sofrimento interior. Perdoar é trabalhar para nos fazer bem.

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Domingo, 9 de Maio de 2010

Recursos emocionais renováveis

“Sê feliz durante um instante

Esse instante é a tua vida”

Omar Khayyam

 

“Tenta cada dia ter mais emoções positivas que negativas e converter-te-ás num ser humano melhor.”

Dalai Lama

 

A escassez constitui o principal problema económico. Os recursos naturais são escassos, muitos deles não renováveis, enquanto as necessidades individuais e colectivas acompanham o desenvolvimento e são ilimitadas.

O problema fundamental da Economia reside justamente na multiplicidade das nossas necessidades perante a escassez de recursos capaz de as satisfazer.

É necessário realizar escolhas, ponderar as diferentes aplicações alternativas dos recursos e escolher a melhor dessas aplicações. É na gestão eficiente dos recursos escassos que consiste a racionalidade económica.


Estas são palavras que os meus alunos ouvem repetidamente, pois é sobre o problema da escassez que recai, na sua essência, o estudo da Economia: Se os recursos disponíveis não fossem escassos o estudo da Economia não seria necessário.

Também no nosso mundo afectivo existem recursos que têm limites e dependem da forma como os gerimos. “Por exemplo, uma boa gestão dos nossos recursos emocionais levará a que as nossas fontes de energia – as expectativas, a automotivação ou a alegria – sejam energias renováveis e que outras – como a ira, a inveja e o medo – sejam energias recicláveis.

Uma gestão incorrecta, pelo contrário, pode levar a que a ira derive em ressentimento e em ódio e que a energia que esses sentimentos produzem se perca ou seja utilizada para destruir. Os nossos afectos são materiais delicados que não podem ser utilizados de qualquer maneira. De nós depende efectuar a sua gestão inteligente.” (Jaume Saulier, Mª Mercê Conangla)

Existe uma pequena sigla “emocional” que, se aprendermos a gerir o mais cedo possível, nos ajudará a potenciar as emoções positivas, criar um pensamento optimista e criativo. A sigla é: SARD. Diz-nos que os comportamentos S (serenidade, silêncio, sabedoria, sabor, sexo, sonho, sorriso) promovem secreções de serotonina e geram atitudes A (ânimo, amor, apreço, amizade, aproximação). Por outro lado, os comportamentos R (ressentimento, raiva, rancor, recriminação, resistência, repressão) fomentam a secreção de cortisol, uma hormona corrosiva para as células que acelera o envelhecimento e gera atitudes D (depressão, desânimo, desespero, desolação).

Está, em grande parte, nas nossas mãos gerir da melhor forma os nossos recursos emocionais, investir a nossa energia no desenvolvimento do nosso potencial. Uma sugestão, para começarmos, será a de nos centrarmos nas emoções positivas anotando o tempo verdadeiramente vivido, tal como na história que passo a transcrever e que é a minha PROPOSTA DE REFLEXÃO de hoje.

 

“Era uma vez… um homem que andava em peregrinação pelo mundo prestando atenção ao que ia vendo. Um dia chegou à povoação de Kammir. Antes de lá entrar, reparou num pequeno caminho que o chamou à atenção pelo facto de estar coberto de árvores e de flores. Seguiu por ele e foi dar a uma cerca de madeira com uma porta de bronze entreaberta, como se o convidasse a entrar.

O homem transpôs o umbral e começou a caminhar lentamente entre as pedras brancas distribuídas entre as árvores como que ao acaso. Era o cemitério daquele lugar. Baixou-se para olhar uma inscrição e leu: Abdul Tareg viveu 8 anos, 6 meses e 3 dias. O homem sentiu pena da criança que morrera tão jovem e, com curiosidade, foi lendo as lápides que estavam à sua volta. Qual não foi o seu espanto quando se apercebeu de que a pessoa enterrada que vivera mais tempo tinha apenas onze anos. Terrivelmente abatido, sentou-se reflectindo sobre que estranha desgraça poderia ter sido a causa da morte de tantas crianças, quando um velho se dirigiu a ele e lhe perguntou o que se passava.

- O que é que aconteceu nesta povoação? Porque estão tantas crianças enterradas neste local? Que terrível maldição caiu sobre vós?

- Fique tranquilo, bom homem – disse o velho. – Não existe qualquer maldição. O que acontece é que na nossa cultura, quando um jovem faz quinze anos os pais oferecem-lhe um pequeno caderno como o que aqui tenho. A partir dessa idade, cada vez que desfrutamos realmente de algo, ou vivemos um momento especial ou intenso, sentimos amor, paz ou felicidade, anotamos no caderno essa vivência indicando quanto tempo durou. Assim vamos fazendo todos nós e, quando morremos, somam o tempo que vivemos em plenitude de sentido e consciência e anotam na lápide. Este é, meu amigo, o único tempo vivido.”

 



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Domingo, 2 de Maio de 2010

Três lições do Tao

“O Tao que pode ser dito não é o Tao absoluto.”

Laozi

 

O Tao, este “princípio primeiro que tudo abarca e origina todos os fenómenos” é impossível de definir. É por “Caminho”, “Via”, “Corrente de vida” que a palavra tem sido traduzida. No entanto, contrariamente à “Via” budista em que a finalidade é chegar ao “Despertar” e contrariamente às três grandes religiões reveladas – judaísmo, cristianismo e islamismo – o Tao não é o objectivo final e não conduz à Verdade. O próprio caminho é o objectivo.

Apesar de ser impossível definir, todos o conhecemos. A nossa vida decorre harmoniosamente quando dele nos aproximamos e agimos de forma espontânea. Ao afastar-nos nada flui. Viver em harmonia com o Tao é estar integrado nele. O Tao faz-nos entender que fazemos parte da natureza e entregando-nos a ela, não há esforço, tudo flui espontaneamente.

Contrariamente ao que muitas vezes se crê, o Tao não é propriedade exclusiva do Taoísmo, mas sim do pensamento chinês na globalidade.

Conhecermos alguns dos princípios do Tao será um passo para encontrarmos o equilíbrio e a fluidez nas nossas vidas. E como nos diz Laozi (Lao Tse) “uma viagem de muitos quilómetros começa por um passo”. O objectivo deste post é o de darmos o primeiro.

 

) “A única coisa que não muda nunca, é que tudo está sempre a mudar.”

Yi Jing (I Ching)

Tudo muda o tempo todo, nunca podemos tomar nada como adquirido. A lembrança de que a mudança é a essência da vida permite-nos relativizar aquilo que nos acontece, dado que tudo pode passar de um momento para o outro. Permite-nos ainda, não nos deixarmos invadir pelas emoções, pois sabemos que elas são passageiras. E por último, leva-nos a dar uma maior atenção às nossas relações com os outros, pois sabemos que elas estão em contínua evolução.

 

2ª) “Entre o sim e o não, a fronteira é bem ténue. O bem e o mal estão entrelaçados.”

Laozi

Qualquer coisa implica o seu contrário: É por isso que me recuso a fazer julgamentos. “Coroa” não é o contrário de “face”: trata-se de uma só e única peça que tem dois lados.

 

3ª) “O melhor dos homens é como a água,
que beneficia todas as coisas,
porém não compete com elas”

Laozi

A metáfora da água encontra-se em inúmeros pensadores chineses e é a imagem, por excelência, do Tao. Tal como a água de um regato busca e encontra o seu curso entre as irregularidades do terreno, assim se vai de encontro ao Tao. Se no seu caminho encontrar obstáculos, vai contorná-los, jamais renunciando à sua primeira vocação que consiste simplesmente em correr. É esta capacidade de adaptação que a torna invencível. A metáfora da água mostra-nos que o elemento mais humilde, mais insignificante na aparência, embora não resistindo seja ao que for, acaba por dominar as matérias mais sólidas – vence, cedendo. A água simboliza a forma como devemos existir: Na maior simplicidade, esquecer o ego, as ambições e desejos pessoais. Seguir o curso natural das coisas, escutar o Tao.

 

 

 

Soube-me bem: Explorar o blogue de Pierre Rabhi. Vale, realmente, a pena fazê-lo. Para quem não conhece este pensador, aqui está, no nosso idioma, um pouco do seu percurso de vida.

 

Qu'est ce que vivre ?

Par Pierre Rabhi

Chacun doit travailler en profondeur pour parvenir à un certain niveau de responsabilité et de conscience et surtout à cette dimension sacrée qui nous fait regarder la vie comme un don magnifique à préserver. Il s’agit d’un état d’une nature simple : J’appartiens au mystère de la vie et rien ne me sépare de rien. Je suis relié, conscient et heureux de l’être. (…)

(…) il faut se mettre dans une attitude de réceptivité, recevoir les dons et les beautés de la vie avec humilité, gratitude et jubilation. Ne serait-ce pas là la plénitude de la vie ?

 

Agradeço: A energia que a natureza me oferece, o quanto me inspira, o quanto me surpreende.

 

PROPONHO PARA REFLEXÃO:

 

“Há quarenta e cinco anos que oriento o meu percurso em torno desta questão: Como me colocar ao serviço da vida, deste planeta cuja beleza não cessa de me cortar a respiração?”

Pierre Rabhi

  • O que é que a natureza representa para si?
  • Desde a sua infância viu a natureza alterar-se? O que é que faz para a preservar?

 

 

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Domingo, 25 de Abril de 2010

A bagagem da outra pessoa

Hoje tinha pensado escrever sobre outro assunto, mas a leitura do último post da minha amiga Joana remeteu-me para algo que com ele se relaciona: O julgamento e a vontade que temos, muitas vezes, de interferir nas vidas dos outros.

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“Um sujeito colocava flores no túmulo de um parente, quando vê um chinês a colocar um prato de arroz na lápide ao lado. Vira-se então para o chinês e pergunta:
Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o defunto virá comer o arroz?
E o chinês responde:
Sim, quando o seu vier cheirar as flores!!!”

 

Esquecemo-nos, frequentemente, que somos diferentes, que agimos e pensamos de forma diferente. Muitas vezes, não respeitamos essa diferença e JULGAMOS pura e simplesmente o outro, sem sequer tentar compreender. Classificamos, rotulamos… Avaliamos constantemente as coisas como certas ou erradas, boas ou más. Este julgamento constante leva-nos, por vezes, a tentar controlar os outros, intrometendo-nos na sua vida, com a presunção de que, melhor do que eles, sabemos qual será a melhor forma de seguirem o seu caminho. Pensamos que o outro é portador de uma determinada bagagem, temos a presunção de saber com que bagagem viaja, imiscuímo-nos na sua vida e insistimos em dizer-lhe o que deve levar. Esquecemo-nos que, nem sempre, a bagagem do outro é aquela que pensamos ser.

 

Eis uma história de Jorge Bucay sobre este tema:

Conta-se que uma senhora argentina foi comprar dois bilhetes para um voo de primeira classe entre Buenos Aires e Madrid. Quando o empregado da agência se apercebeu que o acompanhante da senhora era um macaco, a companhia aérea opôs-se a que um macaco viajasse em primeira classe e não aceitou o argumento da senhora que afirmava que, se pagava, podia decidir com quem viajava e para onde. No entanto, a senhora tinha bastante influência e conseguiu que o macaco fosse como acompanhante, numa caixa especial coberta de lona, numa zona das hospedeiras do avião, em vez de ir no porão da bagagem.

Embora de má vontade, a senhora aceitou e no dia do voo chegou ao avião com uma jaula coberta por uma lona sobre a qual se via bordado o nome “Frederico”. Ela mesma tratou da jaula, certificando-se de que ficava bem arrumada e despediu-se dizendo: “Em breve estaremos na tua terra Frederico, tal como prometi ao Joaquim.”

A meio da viagem, uma hospedeira lembrou-se de dar uma banana e água ao macaco e, ao levantar a lona, apercebeu-se de que o animal estava morto. Rapidamente, avisou os colegas de bordo que contactaram a empresa a pedir instruções. Foram informados de que era necessário que a senhora não se apercebesse de nada, uma vez que eram os seus postos de trabalho que estavam em jogo. Resolveram então substituir o macaco por outro vivo quando chegassem a Madrid (depois de terem enviado a fotografia de Frederico para proceder à substituição). Assim o fizeram: Deram alguns retoques ao macaco vivo e levaram o cadáver de Frederico. Ao descer do avião, a senhora reclamou a jaula à tripulação. Suspirando, a senhora ao dizer que finalmente tinham chegado, levanta a lona e espantada afirma que aquele não é Frederico. Quando lhe respondem que ela está enganada pois todos os macacos são iguais, a senhora observa que Frederico estava morto e ela o levava para o enterrar em Espanha, tal como tinha prometido ao seu marido antes de este falecer.

 

É essencial ter consciência de que não sabemos com que bagagem viaja a outra pessoa e respeitarmos a liberdade e o espaço de que necessita.

 

Soube-me bem: Reler Walt Whitman - "Do I contradict myself? /Very well then I contradict myself,/ (I am large, I contain multitudes.)"

 

Agradeço: As minhas contradições, a diversidade em mim.

 

PROPONHO PARA REFLEXÃO

Estas palavras de Deepak Chopra:

“O não-julgamento cria um silêncio no nosso espírito. Portanto, é uma boa ideia começar o dia com esse propósito. E durante o dia, recorde-se desse propósito sempre que se aperceber que está a fazer um julgamento. Se lhe parecer demasiado difícil manter este procedimento durante todo o dia, pode apenas decidir para si próprio: Durante as próximas duas horas não vou fazer julgamentos sobre nada. Depois, vá aumentando, pouco a pouco, o tempo da duração da experiência."

O silêncio no nosso espírito contribui para o nosso desenvolvimento pessoal e este para a nossa felicidade.

publicado por descobrirafelicidade às 10:31
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Quarta-feira, 21 de Abril de 2010

Nostalgia

Porque hoje estou nostálgica e simultaneamente porque me apeteceu fazer um post só assim:

 

 

 

publicado por descobrirafelicidade às 18:24
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Domingo, 18 de Abril de 2010

Encontrar o nosso "apelo interno"

“Assim que uma pessoa investe toda a sua energia psíquica numa interacção – seja com outra pessoa, um barco, uma montanha ou uma música – ela faz parte de um sistema de acção que ultrapassa as fronteiras do seu ser.”

Mihaly Csikszentmihalyi

 

Encontrar o nosso “apelo” (“calling”) interno é, segundo M. Csikszentmihalyi, um dos factores determinantes do nosso bem-estar. Quando o encontramos, entramos em sintonia connosco próprios e “fluímos” criativamente. É justamente ao estado de imersão total numa tarefa desafiadora que M. Csikszentmihalyi denomina “fluxo” (“experiência óptima”) o qual acontece, por exemplo, quando esquiamos, nadamos, conversamos com amigos, cantamos num coro, dançamos, pintamos, escrevemos… No fluxo, a alienação dá lugar ao envolvimento, o encantamento substitui o aborrecimento, o sentimento de resignação é substituído pelo de controle.

As suas chaves são: Existência de um desafio claro que concentra completamente a nossa atenção; termos capacidade para responder a esse desafio e recebermos um feedback imediato em relação à maneira como estamos a sair-nos em cada passo da nossa actividade (recebemos um sentimento positivo depois de cada nota correctamente cantada, de cada pincelada dada).

Assim, quando escolhemos algo em que nos investimos na medida das nossas capacidades e da nossa concentração, algo que nos desafia e nos envolve, damo-nos a possibilidade de viver experiências verdadeiramente gratificantes.

Qualquer um de nós, seja qual for o seu talento, pode subir mais alto. A alegria de mergulhar na vida é acessível a todos.

 

Soube-me bem: Recordar Georges Moustaki

 

Agradeço: O “eterno presente” da música.


“Tudo coexiste numa relação infinita de causa e efeito. Na música passa-se exactamente o mesmo. Talvez com mais intensidade ainda. Porque a música é um entrelaçar de sons que nos remete directamente para a origem do mundo (…) A música provém da aurora do mundo. Ao mesmo tempo é um eterno presente (…) Passado, presente e futuro encontram-se nela, numa clara forma de eternidade.”

Seiji Ozawa

PROPONHO PARA REFLEXÃO

O que o/a faz fluir? Conhece bem as suas potencialidades? Se as conhecer e fizer uma lista de actividades em que lhes seja dado uso (ajudar amigos, dançar, escrever, ouvir, cozinhar) poderá tomar uma maior consciência daquilo que lhe proporciona bem-estar e, por conseguinte, aumentar a sua gratificação diária com a vida.

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Domingo, 11 de Abril de 2010

Coerência interna

"Entre os gestos do mundo

Aceitei a dádiva das portas.

Vi-as na luz

Seladas, entreabertas

Virando as suas costas

Cor de raposa

Porque as fizemos

Se nos tornam prisioneiros?"

Gabriela Mistral

 

 

"A felicidade consegue-se quando o que pensamos, dizemos e o que fazemos está em harmonia." (Gandhi) - Chama-se a isto coerência.

 

Estar de acordo connosco próprios implica a capacidade de nos afirmarmos e agir conforme aquilo que pensamos ser justo, bom para nós e para os outros: Exprime esse sentimento de bem-estar que se consubstancia num actuar de acordo com os nossos valores pessoais, com as nossas convicções.

Não trair, não fugir às responsabilidades, ir ao encontro de alguém que está necessitado… Estes são alguns dos valores essenciais que nos ajudam a sentir integrados quando os respeitamos; valores morais que escolhemos, mais ou menos conscientemente, para sermos melhores seres humanos. Embora os ideais variem para cada um de nós, acabam por se basear na fidelidade, lealdade às nossas ideias, amizades e amores.

A coerência connosco implica saber dizer “não”, desvincular-se de projecções/ expectativas parentais e normas sociais, respeitar a singularidade, decepcionar às vezes, saber enfrentar riscos, procurar aquilo que se esconde atrás dos nossos medos e inibições, “sermos nós”.

Há que lembrar que viver esta coerência não significa, forçosamente, viver em harmonia permanente – a coerência interna é um movimento, não um estado. É aceitar a complexidade, às vezes desconfortável, da nossa humanidade, as nossas contradições internas. E ao deixar emergir os nossos valores essenciais, autorizando-nos a vivê-los sem medo de julgamentos, encontraremos uma alegria interior profunda: O bem-estar do nosso equilíbrio emocional, a felicidade de nos sentirmos bem na nossa pele.

Fonte: Psychologies, nº 295

 

Soube-me bem: Ouvir Norah Jones.



Agradeço: A minha autonomia interior.

 

PROPONHO PARA REFLEXÃO

 

A partir de uma lista de momentos da sua vida em que se sentiu bem interiormente tente encontrar um ou mais aspectos comuns (silêncio, contacto com amigos ou com a natureza…). Construa o seu “bilhete de identidade” interior, o qual o/a ajudará a actuar, no seu quotidiano, mais de acordo com as suas necessidades pessoais, com o seu ser profundo.

 


publicado por descobrirafelicidade às 10:42
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Autonomia interior

“O homem pode ser desapossado de tudo excepto de uma coisa: A última das liberdades humanas, a liberdade de escolher a atitude que adopta ante qualquer conjunto de circunstâncias e de escolher o seu próprio caminho.”

Victor Frankl

“Acredito verdadeiramente que é possível criar, mesmo sem jamais ter escrito uma palavra ou pintado um quadro, apenas moldando a nossa vida interior. E isso também é uma proeza.”

Etty Hillesum

 

A interligação entre tudo e todos cuja manifestação já referi, noutras ocasiões, revelar-se de uma forma nítida na blogosfera, esteve mais uma vez presente, para mim, no dia em que a minha amiga Marta escreveu o seu excelente post "Será este o segredo?" É que este post foi de encontro, de uma outra forma, ao que li, logo em seguida, num livro (Ecologia emocional) que comprara dois dias antes. E o que li relatava um episódio da vida de um colunista americano que acompanhara um amigo a um quiosque para comprar o jornal. O amigo cumprimentara amavelmente o vendedor, mas este respondera com modos bruscos, atirando o jornal sem qualquer consideração. Apesar da antipatia do vendedor o amigo do colunista sorrira e calmamente lhe desejara bom fim-de-semana. Estranhando como é que o seu amigo conseguia mostrar-se sempre educado e amável perante a antipatia do vendedor, logo teve a resposta:

- Eu não quero que seja ele quem decide a maneira como EU me comporto.

 

As condições exteriores têm uma influência importante nas nossas vidas, mas não são elas que nos determinam. Não fomos nós que escolhemos a família que nos iria acolher, o ambiente que nos iria rodear, os recursos a que teríamos acesso. Mas somos nós que escolhemos a atitude e o comportamento a adoptar perante as nossas circunstâncias. É essa a nossa liberdade, é essa a nossa grande riqueza. O nível de paz estrutural atingido pelo monge budista Matthieu Ricard “que nenhuma conjuntura desfavorável consegue subverter totalmente” é uma prova eloquente da nossa magnificência interior.

publicado por descobrirafelicidade às 10:36
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Descobrir a Felicidade

O tema da felicidade tem dominado os livros, estudos académicos e palestras dos últimos tempos. Inunda campos que vão desde a filosofia política, psicologia, sociologia e literatura até modelos económicos. Procura-se a “fórmula da felicidade” e a solução da “equação da felicidade”. As sociedades modernas parecem ter submergido ao “dever da felicidade”. Esta moda da felicidade em conjunto com a retórica dos livros de auto-ajuda e do pensamento positivo quase me afastou deste projecto que, paradoxalmente, teve o seu embrião justamente com ela: Construir um “portfolio da felicidade”. Muito do que li ajudou-me, de facto, a ter consciência da minha felicidade e a experimentar com maior frequência estados de profundo bem-estar. Partilhar aquelas que considero serem as fontes essenciais da felicidade tornou-se uma prioridade. Cada um é “feliz à sua maneira”, mas a “porta da felicidade abre para fora”, como nos diz Kierkegaard, e gostaria que a “minha” (resultado de tantas outras) fosse uma porta que se abrisse a todos aqueles a quem a casa da felicidade possa acolher.




“L`hiver a cessé: la lumière est tiède
Et danse, du sol au firmament claire.
Il faut que le cœur le plus triste cède
A l`immense joie éparse dans l`air. »

Paul Verlaine


“A conversa com um amigo, a descoberta de um livro, uma gravura, uma visita a um museu, o contacto com a música podem significar momentos de grande apaziguamento, de grande serenidade, de grande enriquecimento interior. É nisso que consiste a felicidade, quando há uma coincidência entre aquilo que nós somos e o Mundo em que estamos.”
Mário Claudio


“Happiness comes from the capacity to feel deeply, to enjoy simply, to think freely, to risk life and to be needed."
S. Jameson





“Tenho uma missão, embora pequena: Ajudar outros que, como eu, andam à procura, quanto mais não seja pelo facto de lhes garantir que não estão sós.”

Herman Hesse

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